Organização de canhotos tenta banir expressões preconceituosas

Diretamente de Coimbra para a Agência T2, São Paulo

Uma organização defensora dos canhotos provocou polêmica na manhã de hoje ao anunciar que enviará requerimento de censura ao governo português. Com sede em Coimbra, o LEFT (Lusitanos pela Esquerda Forte e Tendenciosa) atua há quase uma década nas esferas política, econômica e social com o intuito de mitigar as desigualdades existentes entre destros e canhotos. Segundo seu representante, Manuel Sinistro, a lateralidade corporal tem sido justificativa para o cometimento de grandes injustiças e ainda hoje gera violência contra os que possuem o lado direito do cérebro mais desenvolvido.

“No passado, o canhoto era considerado um destro defeituoso e ser canhoto era interpretado por muitos como adorar e servir ao Diabo, motivo pelo qual muitos foram presos, torturados e até mortos”, argumenta Sinistro na nota oficial divulgada à imprensa. “Durante toda a nossa vida, nós canhotos tivemos de nos adaptar a tesouras, mouses de computador, instrumentos musicais e veículos feitos para destros. Aturamos diariamente as mais extenuantes provações para viver em um mundo que não foi feito para nós. Isso está prestes a mudar”, garantiu Sinistro.

Entre as censuras a serem implementadas caso a requisição seja aceita pelo governo, destacam-se as expressões tachadas pelo LEFT de “segregadoras, preconceituosas, violentas e ofensivas”, que incluem “braço direito” e “acordar com o pé esquerdo”. Segundo os ativistas canhotos, expressões como essas são inaceitáveis porque “perpetuam a histórica violência canhotística cometida pelo destros. Chamar um canhoto que detém um posto de grande confiança e responsabilidade de ‘braço direito’ é humilhante. ‘Acordar com o pé esquerdo’ passa uma imagem terrivelmente negativa sobre nós, como se estivéssemos predestinados a fazer tudo errado desde o momento que levantamos da cama.”

Mas a discriminação vai além da língua, justificam os ativistas com exemplos práticos: “O que é o canhoto do cheque ? É a parte para a qual ninguém liga, o pedaço que não é importante, que se joga fora junto do talão velho e usado. Sem dúvida, uma demonstração explícita e inequívoca de discriminação contra os canhotos. E o que dizer sobre o curso de Direito ? Dá-se a entender que só destros sabem o que é correto e apropriado, inclusive do ponto de vista legal. Por isso resolvemos exigir, em nossa carta ao governo português, que, a partir de agora, o curso se chame Esquerdo. Por conseguinte, ao chamar a atenção de alguém por ter feito algo errado, dever-se-á dizer ‘faça isso esquerdo!'”

O LEFT vai ainda mais longe em sua argumentação e responsabiliza o preconceito internalizado da sociedade pelo fracasso dos partidos de esquerda nas últimas eleições de Portugal. “O povo associa o lado direito à forma correta de se fazer as coisas, até mesmo na política. Não é à toa, também, o fato de a mão principal nas ruas e estradas portuguesas ser a direita. Se depender de nós, é só uma questão de tempo para que isso tudo mude.”

A iniciativa da organização levou outros grupos a se manifestarem sobre o tema das expressões discriminadoras e fazerem suas respectivas demandas. No Brasil, a atitude do grupo português repercutiu principalmente no Rio de Janeiro, onde o NEGRITUDE, coletivo estudantil que luta para garantir direitos iguais aos negros, liderado pelo segundanista de Ciências Sociais Rui Corrêa, manifestou interesse em protocolar um pedido de banimento junto ao Ministério Público. Corrêa justificou: “As expressões do português com termos relativos ao tom de pele escuro são sempre negativas, como ‘o céu está preto’, para se referir a um tempo instável logo antes de um temporal, ou ‘a coisa tá preta’, para se referir a uma situação desagradável ou arriscada. O mesmo vale para mercado negro, lista negra e magia negra, entre tantas outras. As pessoas realmente não percebem como o idioma pode ser preconceituoso e ofensivo. Elas não notam que simples articulações de fonemas ferem tanto quanto punhais, sem exagero algum.”

Segundo Corrêa, neste pedido ao MP, o primeiro de muitos já planejados, o grupo exige que a viúva-negra, aranha mundialmente conhecida pelo veneno letal e altas taxas de mortalidade, seja referida, agora, como “viúva afrodescendente”. A expressão “ovelha negra” passará a ser “ovelha com alta concentração de melanina”. Nem mesmo o negrito da tipografia escapa: tornar-se-á “escurito”. Tudo isso, segundo o NEGRITUDE, para extirpar de vez o racismo inerente à língua popular. “Sem dúvida, eliminando o racismo presente na língua portuguesa, conseguiremos acabar com o racismo prático do dia-a-dia sofrido por milhões de negros no Brasil”, afirma otimista o líder do coletivo.

© 17 de Novembro/11-12 e 24-25 de Dezembro de 2017/8 de Julho de 2018, por Klaus die Weizerbüken. Cópia permitida mediante crédito ao autor e ligação ao blogue. Note que a notícia acima é fictícia e foi escrita com propósitos cômicos. Qualquer relação com a realidade, incluindo os nomes citados, é mera coincidência.

~ por Klaus die Weizerbüken em 19/08/2018.

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