Alimentos brancos podem ser proibidos por racismo

Diretamente de Brasília para a Agência T2, São Paulo.

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Algodão doce, um dos alimentos que podem ser proibidos em breve. (Foto: alex yosifov, CC 2.0)

Transita na capital um pedido de proibição de alimentos que sejam majoritária ou totalmente brancos. A requisição de retirada desses mesmos produtos dos supermercados e mercearias de todo o país já havia sido feita ao Ministério Público na semana passada e foi acatada sem vetos. As medidas fazem parte do escopo de uma ampla campanha social promovida pelo NEGRITUDE (Negros Independentes da Juventude), um auto-denominado “coletivo pós-modernista para a libertação e empoderamento da figura negra”.

O porta-voz do grupo, Rui Corrêa, esclareceu à nossa equipe por telefone que o propósito da campanha é a conscientização da importância do negro ao longo da história a fim de acabar com a discriminação racial. “Principalmente no Brasil, que tem uma rica cultura fortemente influenciada por diversos países africanos, o papel do negro ao longo dos séculos foi de suma importância. Não podemos deixar que isso caia no esquecimento. A sociedade brasileira valoriza sobremaneira a comida clara, um ato que demonstra indubitavelmente o racismo que permeia a vida cotidiana e fundamenta nossa nação.”

Segundo Corrêa, a iniquidade alimentar tem sido um grande problema para as pessoas de pele escura. “Estimamos que ela seja responsável por 25% dos casos de depressão em pessoas negras. Com a proibição, esperamos que haja mais igualdade nas prateleiras dos estabelecimentos, bem como que os negros retomem sua dignidade roubada após anos de opressão alimentícia. Sem dúvida, será uma grande vitória para a comunidade negra.”

Lembrado por nossa redação de que o prato-símbolo do país é negro, Corrêa argumentou que a feijoada só chegou a esse patamar por pressão de entidades negras do começo do século 20. “Se nossos irmãos de outrora tivessem ficado calados, hoje o prato nacional seria o cassoulet”, diz Corrêa, referindo-se à feijoada branca, de origem francesa (forte candidata à interdição caso a proibição se concretize). “Além disso, um só prato negro não é o suficiente para simbolizar e homenagear toda uma cultura. É uma questão de representatividade: a quantidade de pratos negros deve ser tão grande quanto a quantidade de pessoas desse grupo, e isso é atualmente impossível com o alto número de brancos e seus respectivos pratos pálidos.”

Com a implementação da nova regra, que poderá ser oficializada por meio de decreto ainda esta semana, a tradicional culinária brasileira sofrerá sérias alterações. O par “arroz e feijão”, tido por muitos como a combinação perfeita, ficará desfalcado e não mais poderá ser colocado nos pratos dos brasileiros. O beijinho perderá seu lugar nas festas, onde o monopólio dos doces, que só poderão ser preparados com açúcar mascavo, será do brigadeiro. A farinha de trigo e a maisena terão de ser substituídas na preparação de bolos. Milhares de fábricas cessarão a produção do célebre queijo minas. O leite comum seria uma dos primeiros abolidos, mas ainda há dúvida sobre o status do leite condensado e do leite de soja. Gabriel Ratazan, líder do BRANQUELUS (Brancos Queixosos Lutam Unidos), alega que o primeiro é amarelado, enquanto o segundo tende ao bege, motivo pelo qual não deveriam ser proibidos. Rui Corrêa é enfático ao afirmar que “variações de tonalidade não podem ser justificativa para eximir um ou outro alimento da censura culinária. Se o alimento é meramente esbranquiçado, já se enquadra na lei e deve ser tirado de circulação.”

Impulsionados pela possível proibição após a divulgação da notícia pelo MP, o contrabando e a venda ilegal de comidas brancas subiram 76% nos últimos 3 dias, de acordo com Tadeu Shimoda, chef-coronel da Divisão de Crimes Alimentícios, subsetor do Departamento Gastronômico da Polícia Federal. Toneladas de palmito foram apreendidas em carregamentos clandestinos desde a última terça-feira numa mega-operação de âmbito nacional apelidada pela PF de Operação Pó Royal. No Nordeste, diversas pessoas foram presas com pacotes de sal no reto. A técnica, comumente utilizada para o transporte de drogas ilícitas como a cocaína, está se mostrando popular entre os que procuram fazer um estoque de temperos e condimentos brancos discretamente (vale ressaltar que o sal rosa do Himalaia poderá continuar sendo usado para salgar pratos após a iminente proibição.).

Esta não foi a primeira vez que o NEGRITUDE se envolveu numa batalha jurídica para defender os direitos dos negros. Em 2002, 40 anos após a estréia do chocolate branco no Brasil, o grupo entrou com ação contra a Lacta para que o Laka fosse descontinuado. Vitorioso em primeira instância, perdeu em segunda após um recurso da companhia fabricante. “O chocolate sempre foi negro; a invenção do chocolate branco foi apenas um meio da sociedade tentar desmerecer um item de grande valor para os afrodescendentes. Querem erradicar toda e qualquer lembrança da pele negra, até mesmo nos alimentos mais tradicionalmente escuros. Como se explica que todo produto sabor baunilha, uma planta negra, é artificialmente colorido de branco ? O racismo entra em nossas vidas pela própria boca, num simples sorvete de creme numa tarde de domingo”, comenta Corrêa.

Ainda segundo o porta-voz, outras medidas legais serão tomadas nos próximos meses. O carro-chefe das ações é o “sistema de cota pratal”. Definido pela organização como uma “medida social de caráter isonômico”, ele define que uma porcentagem mínima de comida posta no prato seja preta ou marrom, equilibrando, dessa forma, a coloração das refeições consumidas pelo brasileiro.

 

© 13/14/19 de Janeiro de 2017, por Klaus die Weizerbüken. Cópia permitida mediante crédito ao autor e ligação ao blogue. Note que a notícia acima é fictícia e foi escrita com propósitos cômicos. Qualquer relação com a realidade, incluindo os nomes citados, é mera coincidência.

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~ por Klaus die Weizerbüken em 01/02/2017.

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