Feminismo, mostra tua real face

                Pelo idos do século 18 (1701–1800), já estava consolidada na mente dos maiores pensadores, principalmente europeus e estadunidenses, uma idéia fundamental para o estabelecimento da chamada “sociedade civilizada” e o desenvolvimento de uma convivência harmônica entre os povos: a idéia de que todo ser humano é igual. Não fisionomicamente, é claro, tampouco no que tange as idéias e ideais de cada um ou suas personalidades. Talvez seja melhor expressar o conceito como: todo ser humano, a partir do nascimento, deve ser visto, entendido e tratado de forma igual. Todos devem ter oportunidades iguais e ser julgados pela lei da mesma forma. Social, econômica e politicamente, deve haver certa homogeneidade e consistência para que não surjam as temidas desigualdades. A idéia ganhou ainda mais força durante o período de revolução na França, cujo lema foi o famoso “Liberdade, igualdade e fraternidade”. No século 19, esse modo de pensar já era conhecido, apropriadamente, como “igualitarismo” e, como era de se esperar, veio a compor o alicerce de quase todas as constituições do planeta: a igualdade é um direito reconhecido e enaltecido mundialmente, não só de modo endêmico, mas também no âmbito de organizações, associações, órgãos e coligações internacionais. Isso significa que, já há muito, são seres equivalentes os negros e os brancos, os ricos e os pobres, os homens e as mulheres… Nenhum pode ter mais direitos ou deveres, tampouco gozar de vantagens ou privilégios — igual significa exatamente isso: igual.

                Nem seria preciso dizer que tudo isso nunca passou de ilusão. Sabemos que soa muito bonito na teoria, mas na prática não acontece. As desigualdades sempre existiram e foram se proliferando ao longo da história feito doenças infecciosas, corroendo a estrutura da maioria absoluta das sociedades. Não é à toa que um dos critérios mais importantes nas pesquisas de aferição de desenvolvimento humano é justamente o nível de desigualdade. Em países desenvolvidos, é baixo, em subdesenvolvidos, alto. É de se compreender, portanto, que a luta por igualdade, em todos as esferas, tenha se intensificado, principalmente a partir do início do século 20. Afinal, é só pela tenaz insistência que a voz das minorias e dos oprimidos será, um dia, ouvida. Logo, é apenas natural que o debate sobre igualdade, direitos, minorias e afins seja um dos mais freqüentes na pauta do governo, da mídia, das instituições de ensino e da internet.

                Um dos temas mais divulgados e discutidos dentro desse assunto é a questão dos direitos da mulher. O grupo feminino se faz mais presente que o dos ateus, índios e homossexuais, entre vários outros, por um motivo simples: é maior. Longe de serem uma minoria, as mulheres compõem aproximadamente 49% da população de Homo sapiens, o que significa mais de 3,5 bilhões em números absolutos. É verdade que nem todas (a maioria, na verdade) estão preocupadas com questões sociais e problemas político-econômicos, mas as que estão vêm fazendo estardalhaço a respeito do antiqüíssimo machismo que está impregnado na maior parte do globo. E com razão: as mulheres foram injustiçadas e obrigadas a viver submissas desde que se tem notícia. Estava mais do que na hora de levantarem a voz e fazerem valer seus direitos. Surgia, assim, o feminismo.

                Funcionou como deveria nos anos iniciais, mas, em algum momento do século 20 que não saberia especificar, alguma engrenagem da “máquina feminista” se desprendeu e o movimento começou a desandar. Surgiram espécies de “facções” dentro do grupo, das mais brandas e sensatas às mais violentas e extremistas, e isso acabou por afetar a própria ideologia feminista como um todo. Um ponto que merece destaque é que, desde a década de 70, sobretudo dos anos 90 para cá (transição da segunda para a terceira onda feminista), com pico agora nos anos 2010, o eslôgã “feminismo significa direitos iguais” vem sendo roboticamente repetido como mantra. “Lutamos por direitos iguais, lutamos por direitos iguais, lutamos por direitos iguais”, repetem as ovelhas mecanizadas sem parar para racionalizar sobre tudo o que defendem e pregam, tampouco para estudar a história da civilização e as correntes de pensamento do passado. Fizessem-no, aprenderiam que o movimento que luta por direitos iguais, há quase três séculos, é o já mencionado igualitarismo. Como podem dois movimentos sócio-políticos lutarem pela mesma coisa ? Qual o sentido ? Se eu propusesse, hoje, um sistema filosófico-religioso baseado nos ensinamentos de Buda, seria ignorado, visto que ele já existe: o Budismo. Não adiantaria trocar o nome ou mudar uma coisinha ou outra nos dogmas do sistema, pois sua essência continuaria a mesma e seria apenas redundante ter dois Budismos. Como, então, o feminismo ganhou força e foi aceito como um movimento distinto do igualitarismo se pregam a mesma coisa ?

                A resposta é deveras simples: eles não pregam a mesma coisa; são movimentos diferentes. Enquanto o igualitarismo é um movimento sincero que se preocupa em, de fato, promover a igualdade (mesmo que isso seja assaz complicado e muitas vezes ilusório), o feminismo é um movimento parcial e unilateral que preconiza a elevação da mulher ao status do homem onde há injustiça e desigualdade e (esta, sim, a parte ruim do movimento) o suplantamento do homem onde a mulher já é igual a ele, além do labioso mantenimento das diferenças entre homens e mulheres quando elas favorecem o segundo grupo. Em outros termos, pode-se dizer que o feminismo busca o exato oposto de um tratamento justo e igualitário: um tratamento diferenciado. As mulheres querem manter todos os privilégios que já têm sobre os homens e conquistar os poucos que ainda não têm. “Que vantagens e privilégios são esses de que ele fala ??”, você pode estar se indagando com surpresa; afinal, as mulheres não são eternas “sofredoras”, sempre as injustiçadas ? Como podem estar ganhando em algo ?? Vamos ao fatos:

1) Mulheres trabalham menos anos para se aposentar.

2) Por causa do número 1, geralmente aposentam-se com menos idade, podendo aproveitar mais a aposentadoria.

3) Vivem mais (em média).

4) Por causa do 3 primeiros itens, ganham mais aposentadoria e previdência/seguro social que os homens, mesmo tendo contribuído menos que eles.

5) Sofrem menos acidentes no trabalho, inclusive porque, na maioria absoluta das vezes, quem desempenha funções de alto risco são os homens.

6) Em média, trabalham menos horas (trabalho profissional, não doméstico).

7) Sua licença maternidade é maior que a licença paternidade.

8) Têm exclusividade em certas áreas profissionais, áreas em que só mulheres são aceitas (professores infantis e funcionários de creches, salões de beleza, spas e casas de massagem, por exemplo). A presença de homens nessas áreas costuma ser veementemente evitada por causa da alta desaprovação popular. Se a sociedade reprovasse a mulher em certos empregos somente pelo fato de ela ser mulher, as feministas iriam à loucura, dizendo que isso é mais uma prova do sexismo do mercado de trabalho e do machismo impregnado na cabeça das pessoas.

9) Na maioria absoluta dos casos, não pagam pensão alimentícia (mas a recebem dos ex-maridos).

10) Não se alistam no serviço militar (na verdade, não são obrigadas a servir nem que o país esteja em guerra).

11) Em geral, recebem sentenças mais brandas (ou seja, penas menores) que os homens pelos mesmos crimes.

12) Lideram pedidos de divórcio. Se a sociedade fosse tão patriarcal como dizem as feministas, isso simplesmente não aconteceria.

13) Quase sempre ganham a custódia dos filhos em casos de separação.

14) Em casos de divórcio, geralmente são beneficiadas em prejuízo dos homens (o famoso “minha ex-mulher levou tudo que eu tinha”).

15) Por ano, morrem mais homens que mulheres (por causas naturais, acidentes, homicídios e suicídios), então é estatisticamente mais seguro ser mulher.

16) Há mais mulheres estudando que homens, além de elas estudarem mais anos que eles.

17) Apesar de perderem em testes de raciocínio e exames padronizados, elas tiram, em média, notas melhores que eles na escola.

18) Detêm o poder de decisão sobre o acasalamento na espécie humana (traduzindo: só há sexo se a mulher quer, desconsiderando, obviamente, os casos de estupro, que são a exceção, não a regra).

19) Têm mais prazer durante o sexo (orgasmos múltiplos e de duração maior).

20) Têm tratamento diferenciado e privilégios diários (o famoso “ah, não vamos forçá-la a fazer isso, ela é mulher” ou quando um policial pára a mulher e a libera após um sorriso insinuante e um “desculpe, seu guarda, não vai acontecer de novo”).

21) Estão “acima de qualquer suspeita” em casos de denúncia, ou seja, quando uma mulher denuncia um homem por algum crime, acredita-se nela sem pestanejar. O homem já é automaticamente considerado um criminoso, sem nenhuma averiguação dos fatos ou apresentação de evidências, afinal, “mulheres não mentem”. Nesses casos que se resumem à palavra de um contra a do outro, a delas tem mais valor.

22) Cobra-se menos de mulheres em eventos pagos.

23) Elas têm amparo maior da lei no que diz respeito ao assassinato (existe o “feminicídio”, assassinato específico de mulheres, enquanto não existe um específico de homens em nossa legislação). Note que, como explicitado no item 15, quem mais morre por homicídio é o homem, não a mulher, e também que o termo “homo“, presente em “homicídio” e “Homo sapiens“, significa “humano” em latim, não “homem” (que seria “vir” ou “mās“), de forma que homicídio é o assassinato de qualquer ser humano. Soubera disso, Dilma não teria se humilhado com o constrangedor “mulher sapiens“.

24) Têm benefícios de assistência social preferenciais em caso de “chefe de família” (lei 13.014/14).

25) Têm menos problemas com a lei (há menos mulheres criminosas que homens).

26) Sofrem menos acidentes de trânsito (não exatamente porque dirigem melhor, mas porque geralmente são mais lentas que a contraparte masculina para compensar reflexos piores).

27) São menos propensas a usar drogas ou se viciar em álcool.

28) Têm menor tendência a virarem moradoras de rua.

29) Ao contrário de tudo que se ouve sobre o assunto na boca do povo e na mídia, a violência doméstica contra mulheres é igual ou menor que contra homens.

30) A vida da mulher é tida como mais importante que a do homem. Em situações de risco e emergências, os homens podem ficar para trás e morrer: é nobre. As mulheres, por outro lado, devem sempre ser salvas, pois sua vida tem mais valor. É o famoso “mulheres e crianças primeiro” quando um navio está afundando ou um teatro está pegando fogo.

É mais do que óbvio que vantagens e igualdade são coisas que não podem existir ao mesmo tempo. Ou todos são iguais e têm os mesmo direitos e deveres ou não. Vantagens só potencializam a desigualdade, pois, onde existem, é porque alguém está levando a melhor em prejuízo de alguém. É lógico que várias das que citei são absolutamente naturais e não têm como ser mudadas (nem estou sugerindo que tentemos), mas outras dependem do próprio comportamento e/ou mentalidade feminina e outras, ainda, são possibilitadas pela própria Constituição, o que nos leva a concluir que a mulher é descaradamente protegida até por nossa lei maior, em detrimento do homem.

                Com tantos privilégios e direitos e poucos deveres, arrisco dizer, consciente da polêmica vindoura, que ser mulher é fácil. Difícil é ser o batalhador, o provedor, o defensor, o alicerce da família, aquele em quem confiam e de quem dependem, o que faz os serviços pesados e perigosos, o que põe a cabeça para funcionar, o que liga os pontos, que procura soluções e resolve problemas, o que imagina e teoriza, o que cria e inventa, o que faz o mundo girar. Ser homem é carregar o mundo nas costas e não ser concebido o direito de suar, reclamar ou chorar: deve-se fazê-lo de cabeça erguida e bem feito. Ai daquele que quiser jogar a toalha !

                A grande verdade é que tenho orgulho de ser homem e nutro grande admiração por tudo que ele foi capaz de fazer desde o início dos tempos. Uma sociedade sem homens e seus insumos é simplesmente inconcebível. Acho, sinceramente, que, se não fosse pelos homens, ainda estaríamos vivendo nas cavernas; não existiriam sociedades civilizadas, apenas grupos esparsos de Homo sapiens se virando com varas e flechas na tentativa de pegar peixes em tímidos riachos. Vou mais longe: se a raça humana é a espécie animal mais difundida e bem sucedida do planeta, devemos isso ao ímpeto reprodutivo masculino. As mulheres nos agradecem por propagarmos a espécie ? Não que eu saiba.

                O homem é o grande pilar da civilização: é o cientista, o filósofo, o compositor, o educador, o engenheiro, o médico. Sem os homens, você não teria nada do que tem. Foram os homens que inventaram e descobriram praticamente tudo. Olhe ao seu redor e constate: seu computador, os componentes eletrônicos dentro dele, a internet que você usa nele, a televisão, o rádio, o telefone fixo, o telefone celular, o fogão elétrico, o forno de microondas, a geladeira, a máquina de lavar roupa, a de lavar louça, o ferro de passar elétrico, a lâmpada, o carro, o avião, os instrumentos musicais. Alguém duvida que até a roda tenha sido inventada por um homem ? E isso sem falar que o supedâneo teórico para a invenção de todas essas coisas também veio de homens. Ou seja, não teria havido a lâmpada elétrica se vários físicos não tivessem estudado a eletricidade centenas de anos antes, fornecendo subsídio intelectual para que a lâmpada pudesse ser concebida. Da mesma forma, não haveria antibióticos se, anos antes de Alexander Fleming ter descoberto a penicilina, centenas de biólogos não tivessem se dedicado ao estudo de microorganismos e suas reações no corpo humano.

                Aí vai um desafio para evidenciar minha argumentação: consegue pensar em alguma mulher inventora ? Provavelmente não, mas aposto que já ouviu falar em Leonardo Da Vinci, Thomas Edison, Nikola Tesla e Alexander Graham Bell. Consegue pensar em alguma mulher que compunha música clássica ? Não, né ? Mas consegue pensar, sem grandes problemas, em pelo menos 10 compositores clássicos homens, correto ? (Beethoven, Mozart, Bach, Tchaikovsky, Chopin, Rossini, Wagner, Liszt, Vivaldi e Verdi, por exemplo.) Lembra de alguma matemática ? Mas de Isaac Newton já ouviu falar, não é mesmo ?

                Não pense que falo sem conhecimento de causa: sei de várias mulheres importantes na história, em diversos campos. Na verdade, aposto uma boa grana que conheço mais que as próprias mulheres, mesmo as que se dizem feministas. Algumas que pouca gente lembra e que faço questão de trazer à tona: Hipácia, Hildegarda de Bingen, Madame de Staël, Ada Lovelace, Clara Schumann, Emmy Noether, Lise Meitner, Rosalind Franklin, Hedy Lamarr, Vera Rubin e Margaret Hamilton. Preciso dizer, contudo, que mesmo essas grandes mulheres não chegam aos pés dos grandes homens, como prova a total ausência feminina nas pequenas listas de “maiores gênios da humanidade” elaboradas por renomadas revistas, jornais, livros e sites (as mulheres só aparecem se a lista tem pelo menos umas 50 pessoas — aliás, a genialidade é tão associada ao homem que sequer existe o termo “gênia” em nossa língua). É triste, mas é preciso admitir que Marie Curie nunca será Albert Einstein, que Simone de Beauvoir nunca será Jean-Paul Sartre (seu próprio parceiro), Fanny Mendelssohn nunca será Felix Mendelssohn (seu irmão), que Rosa Luxemburgo nunca será Karl Marx, que Frida Kahlo nunca será Vincent van Gogh, que Jane Austen, as irmãs Brontë, Emily Dickinson e Gertrude Stein juntas nunca terão um décimo da importância de William Shakespeare.

                Outrossim, as mulheres consideradas mais importantes da história estão ligadas a áreas menos importantes, como moda, artes plásticas, música, cinema, literatura ou ativismo político. São pouquíssimas as que influenciaram todas as gerações vindouras no sentido ideológico, intelectual, social ou científico, como fizeram brilhantemente Darwin, Marx, Freud e Nietzsche. Quase nenhuma (pra não dizer nenhuma) detém tanto prestígio ou é tão renomada que qualquer pessoa em qualquer canto do planeta tenha ouvido seu nome, como podemos dizer sobre Einstein e Disney. Lembraríamos de Emmeline Pankhurst e Susan B. Anthony hoje se elas não tivesse sido sufragistas ? Em outras palavras, se desconsiderarmos essas suas facetas secundárias (já que não eram suas profissões, suas áreas de especialização), o que sobra ? Pessoas comuns, eu diria. E outra: marcaram época por lutarem por um grupo específico em vez de lutarem por algo que afeta a todos, que é do interesse comum, que beneficia a humanidade. Tsc, tsc, tsc !

                Em resumo, é absolutamente inegável a importância do homem. É idiótico tratar os homens com escárnio e ingratidão, mesmo depois de tudo que fizeram de bom. É pura auto-enganação dizer para si que o homem é essencialmente mau e que o mundo teria sido um lugar melhor sem ele, com a mulher no comando, como pensam as femistas. É por essas e outras que estou farto da sociedade que é condescendente com a vilanização da figura masculina, que vê o homem como ser naturalmente violento, inatamente desonesto, como estuprador em potencial, pedófilo latente. Essa “demonização” indevida dos homens não é nem um pouco saudável. Sim, há motivo para que se pense tudo isso, mas não é nenhum mistério que a maioria dos criminosos, inclusive dos grandes e violentos, que chocam a sociedade, como psicopatas e assassinos em série, sejam homens. Afinal, o homem ainda é, na maioria das famílias, principalmente nas de baixa renda, o provedor. Se a situação aperta e torna-se necessário recorrer a atividades ilegais para o sustento da família, a tarefa cabe ao pai/marido, não à mãe/esposa. Além disso, a pressão em cima dos homens é muito maior. Espera-se e cobra-se mais deles que delas. A acumulação da pressão acaba levando à desestruturação psicológica, uma porta de entrada para o crime. O que se espera da mulher além de estar com a maquiagem perfeita e a depilação em dia, ser uma mãe carinhosa e um ás na cozinha ? Pouca coisa. É a imagem da mulher que povoa o imaginário social baseada num estereótipo, claro (e não estou sendo conivente com ele). Há que se admitir, contudo, que os estereótipos não surgem do nada, têm algum fundamento: o francês realmente faz biquinho para falar, o italiano realmente gesticula exageradamente e o inglês é geralmente fleumático. De fato, historicamente, tudo com que a mulher precisou se preocupar foram a) sua aparência b) seus dotes culinários e c) suas habilidades maternas. Pouco se exigiu da mulher além disso.

                Ademais, é preciso atentar para o fato de que a imagem imaculada da mulher e a esquálida do homem começam a se desenvolver logo na infância: a menina é pura, educada, aplicada aos estudos. Usa saia rendada e faz trancinhas. Ela não fala palavrão, não solta pum e, na adolescência, certamente não se masturba. Fica o dia inteiro brincando de boneca e de casinha em seu quarto (de preferência, cor-de-rosa). O menino não. Menino é “moleque”. Brinca na rua com qualquer um até tarde da noite, pula muro, sobe em árvore, suja-se com terra, arranja briga, fala besteira, espia a vizinha pela janela, vê vídeo pornô… Ele tem “direito” de ser vagabundo, desorganizado, malcriado, respondão. Afinal, é de sua natureza. Todas essas concepções generalizadas sobre os meninos transformam-nos em monstrinhos, futuros bandidos, políticos corruptos, maníacos sexuais, psicopatas.

                Veja bem: a menina coloca um nanoshort que bate na metade das nádegas. É preciso um microscópio para enxergar com exatidão onde começa e onde termina. Se eu olho, sou um pervertido, um futuro estuprador, uma vergonha para a sociedade, a escória do mundo. Ela não. Ela simplesmente está exercendo seu direito de mulher de usar qualquer roupa que lhe convenha sem ser reprimida pelo patriarcado ou se sentir desrespeitada por trogloditas sem educação, de mentalidade inferior, que deveriam ser presos antes que façam algum mal à comunidade. Percebe a dupla moral, a duplicidade de critérios, o padrão “dois pesos, duas medidas” que se aplica quando o assunto é direitos femininos e masculinos ?

                Imagine a seguinte situação: um casal que jantava num restaurante começa a se desentender. De repente, após uma discussão acalorada, a mulher levanta, vai até o homem e dá-lhe um tapa na cara, daqueles tão altos que o restaurante inteiro olha. É provável que alguns dos presentes desaprovem a atitude da mulher, mas também é provável que ninguém faça absolutamente nada a respeito. Só observam e comentam baixo com a pessoa ao lado. Pior: é bem capaz que alguns pensem que a atitude da mulher foi justificada: “se ela fez isso, houve algum bom motivo”. Afinal, a mulher não faria isso se ela não estivesse com a razão. Provavelmente, o homem fez algo horrível para ela ou, no mínimo, a provocou. Ele mereceu.

                Agora imagine a situação contrária: o homem bate na mulher. Seria chocante. Todos no restaurante ficariam de boca aberta e certamente alguns levantariam e tentariam inferir. Alguns mais corajosos talvez até fossem tirar satisfação com o homem dizendo algo do tipo “por que não bate em mim agora ?” ou “bater em mulher é fácil, quero ver fazer isso comigo”. Um exemplo mais simples e próximo de nossa realidade é o que sempre ocorreu no seriado Chaves, sucesso no Brasil até hoje, parte da infância de muitos. Sempre foi “hilário” ver Seu Madruga apanhando de Dona Florinda, mas, se o oposto ocorresse, haveria pressão da sociedade para censurar a série, que indubitavelmente estaria indo contra os princípios e valores do cidadão honrável, seria um acinte à “boa conduta moral”.

                Analisando a situação com cuidado, é quase impossível não perceber que quem está em apuros não é a mulher. Considerando tudo, a mulher até que está bem. É o homem quem é mais discriminado, é o homem quem mais sofre, é o homem quem mais se cansa e é ele quem tem sempre de superar as dificuldades para, no fim do dia, aparentar ser herói. E a mulher ? “A mulher tem filhos, coitada”. Passa-se a impressão de que ser mãe é uma tarefa tão árdua, tão sofrida, tão pungente, que compensa todos os privilégios do sexo feminino. É como se a balança, com vantagens de um lado e a maternidade do outro, acabasse equilibrada, uma questão de merecimento: “merecemos tudo que temos e mais tudo que ainda não temos e exigimos porque ficamos grávidas e damos à luz”. A idéia, obviamente, não se sustenta, não só porque nem todas as mulheres têm filhos, como porque um número exorbitante das que têm não passa pelo sofrimento do parto natural. Mesmo as que passam, evidentemente, não têm justificativa lógica para utilizar a escusa. Ser mãe não pode ser desculpa para conseguir vantagens na mesma medida em que não pode ser pai.

                Voltando a falar das feministas em si, é engraçado constatar que tamanho é seu desespero para engendrar mudanças na sociedade (mudanças que só as beneficiem, é claro) que são capazes de qualquer coisa, até mesmo de tentar alterar a língua para refletir a “popularidade” do feminismo, como demonstra o ridículo “presidenta”, termo exclusivamente feminino que substitui sem necessidade alguma o termo “presidente”, que já é válido para mulheres por ser substantivo comum aos dois gêneros (o presidente/a presidente). Não vemos homens criando e tentando popularizar o termo “presidento”, que só serviria para presidentes homens. Logo, usar “presidenta” é apenas uma maneira forçada de “apoiar a causa” e iludir o povão, passando a impressão de que o feminismo está realmente suscitando mudanças sociais e a tão desejada mitigação das desigualdades de gênero, quando na verdade não passa de uma mera palavra presunçosa que não “pegou”, visto que pouquíssimos jornais e revistas consagrados a utilizam. Outra questão lingüística que tem fomentado debate, ainda que (felizmente) não tenha ganhado força, é a transformação de todos os termos no masculino genérico (os quais considero inofensivos) em termos neutros, trocando o O final por E, como “todos”, palavra que acabei de utilizar na frase anterior e que viraria “todes”. Talvez essas insignificantes tentativas femininas de mudança sejam uma necessidade psicológica de compensação por tudo que passou a figura feminina aliada à óbvia constatação de que, mesmo com tudo que as mulheres conquistaram, principalmente nos últimos 100 anos, o mundo continua essencialmente fálico: os pensadores mais influentes, os cientistas mais respeitados, os líderes mais seguidos, os empresários mais ricos e os políticos mais poderosos continuam sendo homens.

                Aliás, quanto mais penso sobre o feminismo e suas implicações, mais me convence a idéia de que, no fundo, ele não passa de um movimento político, mas não um qualquer: um que se disfarça de movimento social para angariar sequazes e alcançar seu escopo. No fim das contas, é apenas um movimento desorganizado e fragmentado que luta desesperadamente, utilizando-se de qualquer artifício, por espaço e poder. O mundo sempre foi assim; a luta pelo poder faz parte da natureza humana. A diferença é que agora as mulheres também entraram numa luta que antes só envolvia homens. Querem estar por cima, ocupar o posto que sempre foi e continua sendo ocupado pelos homens. “Ok, homens, o tempo de vocês já acabou; agora é nossa vez”.

                Isso me leva a pensamentos mais abstratos sobre a própria condição do feminino e a constituição da identidade de gênero das mulheres. Dúvidas se formam em minha mente: será que existe um complexo subconsciente internalizado na mulher acerca de sua própria sexualidade ? Será que existe um desejo feminino pré-consciente que almeja o “querer-ser” masculino ? Será que a fêmea trava uma luta interna contra um natural sentimento de veneração pelo macho ? Será que a mulher, inconscientemente, sente-se frustrada por não ser homem ? Em suma, queria a mulher ter nascido com um pênis e testosterona em abundância ? São questões que não se estendem a absolutamente todas as mulheres, mas à maioria, eu diria. Quando primeiro me indaguei sobre isso, pensei que seria interessante fazer uma análise psicológica, psiquiátrica e/ou psicanalítica sobre o assunto, e, durante minhas pesquisas, surpreendi-me ao saber que ninguém menos que Freud já havia pensado e escrito a respeito. Segundo ele, durante a infância, a menina nota que, diferentemente dos amiguinhos e/ou irmãos, ela não tem pênis. É como se faltasse algo nela, como se ela não tivesse algo que seria normal ter. Em alguns casos, com o passar dos anos, o pensamento acaba se desenvolvendo de tal forma que acaba virando uma inveja implícita, inconsciente, a qual pode se transformar numa inveja mais abrangente, do homem como um todo e de seu papel na sociedade. Soma-se a isso a natural posição de submissão da fêmea nas espécies sexuadas (na cópula, o macho é ativo, o que penetra e deposita o esperma, enquanto a fêmea é passiva, pois o recebe) e tem-se um sentimento de inferioridade, um complexo incutido na mulher desde a mais tenra idade, muitas vezes incitado e/ou impulsionado já no seio familiar. Não é, portanto, difícil compreender porque e como esse sentimento feminino negativo em relação aos homens é alimentado. Isso explicaria, inclusive, porque uma enorme porção das feministas é lésbica, o que sempre suspeitei não ser uma coincidência.

                As mais versadas na “arte do feminismo” bombardear-me-ão de puxões de orelha, alegando que não sei da diferença entre feminismo e femismo. O pior é que eu sei, sim. É com pesar, entretanto, que afirmo que a linha que separa o feminismo e o femismo, a “versão feminina do machismo”, é atualmente muito tênue. Em anos recentes, tem sido a parcela fundamentalista das feministas, que muito se aproximam das femistas, que tem conquistado espaço. É a parcela do movimento que perpetua a exaustiva e nociva visão de que as mulheres são sempre vítimas e os homens são sempre os culpados por isso. A vitimização e a misandria são as maiores mazelas do feminismo radical. Quanto ao primeiro item, trata-se de uma postura derrotista, que concebe a mulher como inferior desde o primeiro momento. É preocupante que muitas vezes os próprios pais ensinem suas filhas a serem vítimas ou a se enxergarem como tais. Falta, a essas mulheres, denodo. Falta um orgulho próprio que as motive a bater no peito e dizer com voz cheia “não somos vítimas, somos lutadoras”. O segundo é puramente ilógico e tem relação com a já comentada raiva/inveja feminina do “ser-homem”. Atacar os homens certamente não é uma estratégia inteligente de resolver as injustiças sociais contra as mulheres; pelo contrário: é um golpe baixo que só piora a situação, pois gera mais conflito, mais discórdia.

                Ainda que o feminismo realmente fosse o que faz parecer que é, ou seja, uma luta pelos direitos iguais, não passaria de uma sutil artimanha tautológica, tendo em vista que a isonomia de gênero já é garantida por lei no artigo 5º da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”. Sabemos que não é bem verdade porque, como já esclareci anteriormente, a própria lei concede às mulheres direitos que os nomes não têm, além de não obrigá-las a cumprir certos deveres que cabem exclusivamente aos homens. Logo, cabe a inevitável pergunta: quais são, de fato, as tais injustiças sofridas pela mulher ? Que desigualdades são essas de que tanto falam ? Até que me provem o contrário, só posso concluir que se trata de pequenas desigualdades comportamentais percebidas no dia-a-dia, as quais não são realmente prejudiciais. Por exemplo: apesar de não ser bem-vindo em estabelecimentos comerciais dessa forma, o homem pode andar sem camisa pelas ruas. Se a mulher o fizer, poderá ser acusada de atentado ao pudor e exigirão que coloque, pelo menos, um top. Note que não é a lei que dá preferência ao homem, mas a sociedade que não aceita esse comportamento e age de acordo com o que manda sua consciência limitada e conservadora (infelizmente, é este o Brasil e duvido que mude). Mesmo nesses casos, para sermos justos, também temos de ver o outro lado: a mulher que não trabalha é aceita pela sociedade, geralmente vista como simples dona de casa (ou “do lar”), esposa dedicada, mãe carinhosa ou algo que o valha. O homem que não trabalha é vagabundo, sem mais nem menos. Se depender de alguém, então, nem se fala: é um aproveitador, um sanguessuga social.

                Tenho total consciência de que freqüentemente as leis não são seguidas, de modo que se faz necessário criar movimentos, grupos, associações ou organizações que lutem pelo cumprimento delas. Não condeno, portanto, o esforço feminista em prol da aplicação da isonomia, um direito garantido por lei, mas nem sempre posto em prática; condeno, no âmbito jurídico, a criação de leis (ou atualização das já existentes) que concedam mais direitos ou benefícios às mulheres, como o já mencionado feminicídio e o benefício dado pelo governo às mulheres chefes de família. Se o homicídio já é crime, para que criar uma lei que classifique o homicídio de mulheres como um crime pior, mais bárbaro, sendo, assim, punido mais severamente ? As mulheres que matam seus maridos após cortarem-lhes o pênis são punidas com mais rigor pela violência contra a figura do homem ou por terem ferido a honra masculina da vítima ? Não. E não pego só no pé das feministas, não. A redundância de leis é algo que me chama a atenção de forma geral, como no caso da proposta de “cristofobia”. Oras, se discriminação já é crime, inclusive por motivos religiosos, para quê criar uma lei específica sobre a discriminação contra cristãos, que, convenhamos, não são nem de longe uma minoria sofredora, mas uma maioria esmagadora (e opressora, diga-se de passagem). Qual é a solução, em todos esses casos ? Fazer cumprir a lei, somente. O cumprimento da lei é, na maioria das vezes, a melhor evitação de desavenças políticas, sociais e econômicas.

                Além das feministas que reclamam da ausência de isonomia no Direito e lutam pela criação de leis redundantes, temos de tomar cuidado também com as paranóicas, que vêem discriminação contra a mulher em todo lugar. Qualquer coisinha já é uma ofensa aos direitos das mulheres, uma objetificação da mulher, uma clara demonstração de sexismo, uma intolerância, uma distinção de gênero maliciosa. É extremamente comum, por exemplo, ouvir das feministas que as mulheres ganham menos que os homens, o que, segundo elas, evidenciaria uma tendência discriminadora do mercado de trabalho, reflexo da mentalidade machista da sociedade. De fato, se somarmos os salários dos homens e os salários das mulheres, o primeiro resultado seria maior. Entretanto, quando se investiga o aparente problema de forma profunda, e não superficialmente, como fazem as feministas, descobre-se que isso nada tem a ver com discriminação ou injustiça. Homens ganham mais porque têm empregos que pagam melhor. Os motivos que levam à escolha de uma profissão ou outra são vários, incluindo localização, contexto social, escolaridade, função desempenhada na família e área de estudo e especialização. Com relação a este último motivo, deve-se lembrar de que, por razões biologicamente explicáveis (facilidade maior do cérebro masculino em lidar com números e raciocínio lógico), há mais homens que mulheres na área de exatas, um fato estatisticamente comprovável31. É raríssimo encontrar mulheres em cursos de Matemática, Física, Química, Engenharia, Computação e outros. Como se sabe (convenhamos, não é nenhum segredo), empregos que exigem conhecimentos de exatas pagam mais que os que privilegiam humanas. Logo, não é difícil compreender porque as mulheres, geralmente formadas em Letras, Comunicação, Pedagogia, Ciências Sociais, Artes e outros campos de humanidades, recebem salários menores.

                Além disso, a comparação dos salários de homens e mulheres feita da forma como apresentam as feministas é matematicamente inapropriada, pois baseia-se num erro grotesco: comparar salários indiscriminadamente, sem considerar as particularidades e peculiaridades ali presentes. Seria o mesmo que comparar os salários de judeus e cristãos, concluir que os cristãos ganham mais ao todo e chamar o mercado trabalhista de anti-semita. Oras, se há 2,2 bilhões de cristãos e só 14 milhões de judeus, a comparação não é justa. A equiparação se dá apenas quando se compara um homem e uma mulher que têm exatamente o mesmo emprego (numa mesma empresa) e trabalham exatamente o mesmo número de horas. Desafio qualquer feminista a me mostrar uma empresa idônea que pague, pelo mesmo cargo e mesma carga horária, um salário diferente para homens e mulheres. Se inidônea, o exemplo é inválido e deve ser desconsiderado, já que uma empresa desonesta pode cometer qualquer tipo de irregularidade. O que importa é que, se segue a lei, a empresa certamente paga ao homem e à mulher o mesmo salário.

                É também preciso relevar que muitas das coisas sobre as quais feministas reclamam também acontecem com homens, ou seja, são coisas pelas quais os seres humanos passam em geral, independentemente do gênero (ainda que homens não reclamem). Um bom exemplo é quando as mulheres dizem que estão sendo vítimas de objetificação sexual em propagandas ou que é instituído um padrão de beleza feminino irreal de diversas formas, desde bonecas infantis até capas de revista. Oras, não existem campanhas publicitárias que incitam a sexualização do homem ? Não há cartazes e outdoors gigantescos em todo o mundo com homens seminus, sarados, depilados, de cabelo curto e sem barba ? Assim como há Barbies, loiras e magras, não há Kens, brancos e de olhos azuis ? Max Steels, bombadões e bronzeados ?

                Outro bom exemplo é a hipotética “violência contra a mulher no mundo dos jogos”, alegada por feministas que, por azar, depararam-se com algum dos pouquíssimos jogos em que personagens femininas sofrem violência. Ignoram totalmente que, em todos os outros, a vítima da violência é o homem, como nos jogos de luta, de guerra, de ação, de aventura, de tática, de super-herói, de terror, de suspense etc. O mesmo vale para desenhos e revistas em quadrinhos. Mesmo nos meios em que a violência contra a mulher é mais comum, como em filmes e séries, quando ocorre com homens, não há alarde (a exemplo, o já mencionado caso de Seu Madruga).

                Está claro que problemas desse tipo não são só femininos, e é preciso ser realista e admitir que os homens têm maior facilidade em lidar com eles. Não vejo, tampouco fiquei sabendo de algum caso, homens fazendo sessões com psicólogos porque se sentem frustrados por não serem como os modelos das páginas de revistas de moda. Nunca ouvi um homem reclamar da exploração da figura do “macho” na indústria pornográfica. Não conheço um único homem que se incomode com a violência sofrida pelas personagens masculinas em revistinhas de HQ, como Batman e Spider-Man. Pode ser que o motivo seja uma das diferenças mais gritantes entre homens e mulheres, algo que não é novidade para ninguém: a mulher é mais emocional e o homem mais racional. Talvez seja apenas natural que a mulher se sinta mais sensibilizada com a situação e lide com o problema de forma sentimentalista, enquanto o homem não se comove.

                Devo chamar a atenção, inclusive, para o fato de que o movimento feminista não é um racional; pelo contrário: a ideologia feminista se mostra bastante emocional. É fundamentada numa raiva alimentada por séculos de submissão. Não uma raiva pessoal, mas uma ira coletiva que se perpetua no imaginário feminino ano após ano. A raiva natural que o oprimido sente do opressor, mesmo quando do fim da opressão. É até compreensível essa busca incessante e desesperada por regalias, regalias essas que, obviamente, foram-lhes negadas historicamente pelo fato de a mulher sempre ter sido (e pode-se argumentar que ainda é) o sexo frágil, oprimido, reprimido, subjugado, secundário. Todavia, não podemos permitir, jamais, que a cólera feminina seja a justificação para mudanças sociais ou alterações nas leis, e, para que isso de fato não aconteça, é preciso contar com a sensatez das próprias mulheres, as maiores envolvidas. Certamente não incluo aí as femistas, que, diferentemente das outras mulheres, não fazem questão alguma de esconder essa raiva. Pelo contrário, é totalmente explícita e até acho que sentem orgulho de odiar os homens, ainda mais por motivos tão torpes. É o tipo de pessoa que vive para e pelo ódio, sem nenhum grande propósito. Uma vida deprimente, só posso concluir.

                Encaminhando-me a um desfecho, informo, um tanto constrangido, que grande parte deste longo texto poderia ter sido evitada se analisássemos o próprio termo que nomeia seu assunto. Explico: o feminismo é uma contradição viva a começar pela denominação. Como pode uma ideologia/movimento dizer que luta pela igualdade dos sexos e pela justiça entre eles se seu próprio nome só contempla um dos lados e é formado majoritariamente por representantes desse lado ? Se eu fosse iniciar um movimento de luta pelos direitos iguais a crocodilos e jacarés, não poderia chamá-lo nem “crocodilismo” nem “jacareísmo”, pois ambos seriam parciais. Caso estivessem realmente preocupadas com a igualdade e a justiça, as mulheres começariam a pensar em questões sérias que envolvem algum benefício ou privilégio a seu próprio grupo. No caso do serviço militar, por exemplo, o que faríamos ? Desobrigaríamos os homens de se alistarem e servirem ou obrigaríamos as mulheres a fazê-los ? É preciso reconhecer que no statu quo, não há justiça quanto a isso, já que um dos lados possui uma obrigação a mais que o outro, e uma imposta pelo governo, não pela natureza, como é o caso da gravidez/maternidade. É algo a se pensar com bastante sensatez, e confesso que me surpreenderia se as mulheres sugerissem a segunda opção. Se fossem consistentes e continuassem agindo como sempre agiram, pensando apenas em si e pondo seus próprios interesses acima dos de qualquer outro grupo, certamente encontrariam uma forma de abolir o serviço militar (não que eu seja contra, mas só consigo ver isso acontecer se forem as mulheres quem reclamarem; se os homens disserem algo sobre essa injustiça, serão ignorados).

                Com toda a sinceridade, hipocrisia cansa. A hipocrisia das feministas que pregam direitos iguais, mas não admitem todas as vantagens que têm e se calam diante das injustiças perpetradas contra os homens. A hipocrisia das feministas que reclamam da objetificação sexual da mulher e da exploração da imagem do corpo feminino, mas desfilam nuas na Marcha da Vadias. A hipocrisia das artistas que se dizem feministas e defendem o fim do aproveitamento da mulher, mas usam roupas de prostitutas e cantam músicas cujas letras denigrem e banalizam a figura feminina. A hipocrisia da mulher que se diz linda, forte, livre e independente, mas pede ao namorado ou marido para trocar a lâmpada queimada do banheiro ou ir averiguar um barulho ouvido na cozinha no meio da madrugada (instituiu-se que o homem é quem deve se arriscar, a mulher tem de ficar em segurança). Ou aquela que se nega a fazer um trabalho físico, afinal, ela é mulher, e mulheres não podem fazer esforço, isso é coisa de homem.

                Acredito, sim, que deva existir um número enorme de mulheres (e homens também, por que não ?) que acreditam no feminismo como movimento/ideologia/processo de luta pelos direitos iguais, nada mais. Não pregam ódio, não pregam violência. Pregam apenas a igualdade. Mas algo não se torna (nem deixa de ser) verdade por causa do número de pessoas que nele acreditam. É difícil de acreditar que essas mulheres, em nome da igualdade, abrirão mão de seus mimos. Perdê-los de propósito é puramente masoquista, e não vejo o masoquismo como condição sine qua non para o feminismo. É justamente esse o “problema” dos direitos iguais: eles significam exatamente “iguais”, não “iguais só quando me convêm”, “iguais quando as vantagens me interessam”, “iguais quando os privilégios são para meu grupo”, “iguais quando meus interesses estão em jogo” ou “iguais quando minhas exigências serão atendidas”. Do jeito como se mostra agora, o feminismo é mestre na arte de embair. O eslôgã “Direitos para as mulheres já !” deveria ser substituído por um mais realista, mais sincero, mas condizente à ideologia da maioria das feministas atuais: “Vantagens para as mulheres já !”.

                É por isso tudo que, depois de muita ponderação, chego, senhoras e senhores, à conclusão à qual temia chegar: o feminismo tal como se apresenta hoje nada mais é que uma contraposição nivelada ao milenar machismo; uma resposta, na mesma moeda, das mulheres aos homens. Infelizmente, enquanto isso se mantiver assim, não haverá a tão sonhada, e quiçá utópica, isonomia de gênero. Só o que posso desejar para o futuro é que, em tempo, as próprias feministas, além, é claro, de todo o resto da sociedade, percebam que o movimento ao qual se dedicaram e apoiaram por tanto tempo é um pueril, pleonástico, antinômico, interesseiro, hipócrita, dissimulado, dogmático e pernicioso, um lobby social de alta conotação política e poucos resultados positivos relevantes à sociedade como um todo. O mundo já está cheio de movimentos e grupos separatistas, discriminadores e alienadores. Nós não precisamos de mais um. E viva o igualitarismo !

 

© Idéias reunidas em 2013/2014 e texto elaborado em Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro e 21/22/24/27/29 de Dezembro de 2015, por Klaus die Weizerbüken. Cópia proibida.

 

Fontes:

1, 2 e 4) http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/06/por-que-mulheres-precisam-trabalhar-menos-tempo-para-se-aposentar-4784971.html
http://blogs.band.com.br/follador/o-privilegio-das-mulheres-na-aposentadoria/
http://andremansuradv.jusbrasil.com.br/artigos/114088470/diferencas-na-aposentadoria-do-homem-e-da-mulher
http://economia.uol.com.br/financas-pessoais/guias-financeiros/guia-regras-do-inss-e-da-previdencia-social-e-o-que-fazer-para-a-aposentadoria.htm
3) http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/tabuadevida/evolucao_da_mortalidade.shtm
http://saude.ig.com.br/minhasaude/2012-07-01/por-que-as-mulheres-vivem-mais.html
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2014/12/01/expectativa-de-vida-da-mulher-brasileira-e-7-anos-maior-que-a-do-homem.htm
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151005_vert_fut_longevidade_sexos_ml
5) http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/sociedade/detalhe/mulheres-tem-menos-acidentes-mas-mais-doencas-profissionais.html
5 e 14) http://www.bls.gov/news.release/cfoi.t04.htm
6) http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_mulher/Suplemento_Mulher_2008.pdf
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7) http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2015/08/quais-paises-oferecem-as-maiores-e-as-menores-licencas-maternidade.html
http://200.201.88.180/pda/index.php/licenca-maternidade-paternidade
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10) http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/servico-militar/servico-militar-obrigatorio-alistamento-exercito-dispensa.shtml
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11) http://www.huffingtonpost.com/2012/09/11/men-women-prison-sentence-length-gender-gap_n_1874742.html
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12) http://ambito-juridico.jusbrasil.com.br/noticias/2996646/mulheres-lideram-pedidos-de-divorcios-afirma-ibge
https://www.washingtonpost.com/news/soloish/wp/2015/08/27/why-women-are-more-likely-to-initiate-divorce/
13) http://direitodetodos.com.br/pai-tem-direito-de-guarda-dos-filhos-tanto-como-a-mae/
https://jus.com.br/artigos/27608/pai-e-guarda-dos-filhos
http://www.divorcenet.com/resources/divorce/for-men/divorce-for-men-why-women-get-child-custody-over-80-time
http://scholarship.law.stjohns.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1522&context=lawreview
http://www.census.gov/prod/2003pubs/p60-225.pdf
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16) http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/mulheres+estudam+mais+que+homens+segundo+ibge/n1237770953634.html
http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/12/19/percentual-de-mulheres-com-nivel-superior-e-maior-que-o-de-homens-mostram-dados-do-ibge.htm
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16 e 17) http://educationnext.org/gender-gap/
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23) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm
24) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/Lei/L13014.htm
25) https://www.psychologytoday.com/blog/the-scientific-fundamentalist/200807/why-are-almost-all-criminals-men-part-i
http://www.historylearningsite.co.uk/sociology/crime-and-deviance/who-commits-crime/
http://www.vocativ.com/usa/justice-usa/crimes-women-commit-most-often/
http://www.sociology.org/content/vol7.2/01_krienert.html
26) http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2013/08/homens-se-envolvem-mais-em-acidentes-aponta-pesquisa-do-detran.html
http://www.valor.com.br/brasil/4077768/homens-lideram-acidentes-de-transito-diz-ibge
http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/biae.clemson.edu/bpc/bp/Lab/110/reaction.htm
15 e 26) http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/09/24/interna_cidadesdf,271218/taxa-de-mortalidade-no-transito-entre-os-homens-e-158-superior-a-feminina.shtml
http://www.nbcnews.com/business/autos/report-men-more-likely-women-die-car-crashes-n366001
27) http://www.sesipr.org.br/cuide-se-mais/alcool-e-outras-drogas/dados-sobre-o-uso-de-alcool-e-outras-drogas-no-brasil-1-23999-216347.shtml
https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2015/06/relatorio-mundial-sobre-drogas-de-2015–o-uso-de-drogas-e-estavel–mas-o-acesso-ao-tratamento-da-dependencia-e-do-hiv-ainda-e-baixo.html
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/09/brasil-tem-370-mil-usuarios-regulares-de-crack-nas-capitais-aponta-fiocruz.html
28) http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/05/1626597-em-quatro-anos-sobe-10-numero-de-moradores-de-rua-em-sao-paulo.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/2013/08/1331884-maioria-dos-moradores-de-rua-sao-homens-desiludidos-com-o-amor.shtml
http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/04/29/ult23u2075.jhtm
29) http://web.csulb.edu/~mfiebert/assault.htm
6, 8 e 31) http://www.topmanagementdegrees.com/women-dont-make-less/
31) http://super.abril.com.br/comportamento/homens-x-mulheres-por-que-eles-estao-ficando-para-tras
http://www.universitario.com.br/noticias/n.php?i=6953
http://revistaeducacao.com.br/textos/222/questoes-de-genero-364936-1.asp
http://noticias.terra.com.br/ciencia/cerebro-diferente-pode-explicar-facilidade-de-homens-em-exatas,7afa00beca2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
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~ por Klaus die Weizerbüken em 10/01/2016.

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