Breves reflexões sobre temas relevantes

Trabalho compulsório para presidiários:

A favor. Presidiários têm de se redimir perante a sociedade fazendo algo prestante. É um absurdo que os cidadãos sustentem criminosos com dinheiro público para que estes passem o dia inteiro dormindo, lendo e tomando sol no pátio. Além disso, a utilização de mão de obra carcerária ajudaria a produção nacional, atualmente bastante aquém do que poderia ser.

Aborto:

A favor, com restrições. Se o aborto fosse totalmente liberado, para todo e qualquer caso, creio que se instauraria um caos na saúde. Em casos em que o aborto é justificável, sou favorável. Exemplo: um casal que não tem condição alguma de criar um filho ou um casal que já tem vários filhos e não pode sustentar mais um. Se o casal tinha total consciência de que a gravidez seria o resultado da cópula e tem as condições necessárias para cuidar do bebê, não há justificativa para abortar. Caso contrário, os hospitais se lotariam de adolescentes irresponsáveis que “se divertiram” num final de semana sem nenhuma proteção. Obviamente, o aborto nos casos de gravidez forçada (estupro), risco à vida da mãe e má-formação do feto (merocrania e anencefalia, por exemplo) deveria ser mantido legal. Vale apontar, também, que o aborto não é uma questão que concerne somente às mulheres, mas aos homens também. A opinião dos pais deve ser considerada tanto quanto a das mães.

Pena de morte:

A favor, com restrições. Só deveria ser aplicada para casos extremos, ou seja, para crimes hediondos, e de comprovação indubitável, aqueles em que não há dúvida sobre o perpetrador do crime. Um exemplo do primeiro quesito seria um assassino em série psicopata que matou e esquartejou dezenas de pessoas, não um pobre coitado que roubou um pote de margarina da padaria da esquina. Do segundo, uma filmagem que serve de evidência incontestável de que foi fulano quem cometeu o ato. Somente teste de ADN não seria suficiente, já que, mesmo que meu ADN seja encontrado na cena do crime, nada prova que realmente fui eu que matei a pessoa encontrada no local.

Prisão perpétua:

Contra. Se uma pessoa é tão perigosa a ponto de ser considerada irreparável e impossível de se reintegrar na sociedade, então talvez seja melhor dar um fim nela. Afinal, quem sentiria falta de um psicopata ? A sociedade é melhor sem eles que com eles. Além disso, durante todo o tempo que lhe restasse de vida, esse criminoso ocuparia lugar nas penitenciárias já superlotadas e seria sustentado pelo erário. Eliminá-lo é matar vários coelhos um uma cajadada só. Por outro lado, se a pessoa não oferece tal risco à sociedade e tem condições de voltar a viver normalmente nela, que passe alguns anos aprisionada para refletir sobre seus erros e depois seja liberada para poder aproveitar sua segunda chance. Condená-la a “viver” presa seria uma tortura desnecessária.

Liberação das drogas:

Contra, com restrições. Liberar as drogas num país desenvolvido é uma coisa, num país subdesenvolvido é outra. A mentalidade do povo é diferente. Não creio que o Brasil esteja preparado para isso. No futuro, talvez. Por enquanto, só abriria exceção para drogas utilizadas em tratamentos médicos (e, obviamente, deve haver um consenso científico sobre sua utilização medicinal; se não houver, não podemos considerar tal droga útil).

Eutanásia:

A favor. Toda pessoa deve nascer livre e ter o direito de fazer absolutamente o que quiser com sua própria vida, inclusive acabar com ela. Se alguém decide que não quer mais viver, temos de respeitar essa decisão. Se a pessoa não pode se comunicar e expressar sua opinião, deve-se considerar não a opinião da família, mas a opinião técnica dos médicos: se há chances de o sujeito sobreviver, vale a pena mantê-lo vivo por mais algum tempo. Se é só uma questão de tempo até ele falecer, por que não acabar logo com o sofrimento ?

Redução da maioridade penal:

A favor. Qualquer ser humano normal tem consciência do que faz por volta dos 15 anos. Considerando uma margem de erro, coloquemos 16 anos como a idade em que, seguramente, uma pessoa sabe que, se cometer um crime, pagará por isso. Isso significa que, nessa idade, sabemos o que é “certo” e o que é “errado”, o que é importante e o que não é, e conseguimos pensar de forma crítica sobre nós mesmos e sobre a vida. Se o que digo não fosse verdade, deveríamos proibir um rapaz de 16 anos de eleger um presidente, uma decisão de peso que afeta milhões de pessoas e pode mudar o rumo de um país. Não existe motivo algum para não punir um indivíduo dessa idade se ele fez algo considerado errado por determinada sociedade. Casos especiais incluiriam pessoas com deficiências e distúrbios mentais e pessoas coagidas a cometer crimes. Esses deveriam ser analisados de forma cuidadosa e particular, podendo ser aberta alguma exceção se julgada necessária pelas autoridades competentes.

Idade mínima para ingestão de álcool:

Deve ser a mesma idade estabelecida para o quesito acima, ou seja, a idade em que uma pessoa já tem plena consciência de si e do mundo que a circunda e sabe das conseqüências que seus atos podem causar, sendo, assim, responsável una por suas decisões e atitudes. Quer beber e estragar sua saúde, correndo risco de se tornar viciado ? Vá em frente, a vida é sua.

Reciclagem e ambientalismo:

A favor. Temos a obrigação de conservar o lugar onde moramos. A natureza não é uma fonte inesgotável de matéria, então devemos fazer o que podemos para preservá-la, incluindo reciclagem e desenvolvimento de tecnologias que não dependam de fontes naturais findáveis.

Tratamento ético dos animais:

A favor. Como os seres biologicamente mais avançados do planeta, é nossa responsabilidade moral impedir que outros seres sofram injusta e desnecessariamente. Sempre que estiver ao nosso alcance, devemos protegê-los, inclusive porque eles não têm capacidade de raciocinar ou de expressar sua sensações, como nós humanos temos.

Vegetarianismo:

Contra. Não há nada de errado em comer carne, tampouco em matar para comer. O que se deve evitar a todo custo é a matança irresponsável e cruel. É possível abater animais para consumo de forma não-violenta e pouco dolorosa, e é isso que deve ser praticado por todas as empresas alimentícias. É necessário, entretanto, que o governo fiscalize e multe (ou até feche) as companhias que continuarem maltratando animais.

Homossexualidade:

Nem a favor nem contra. Não tem como ser um ou outro. É como ser a favor das nuvens ou contra borboletas. Ambas existem e vão continuar existindo quer queiramos, quer não queiramos. Pode-se apenas aceitar sua existência e aprender a conviver harmoniosamente com elas. Particularmente, não tenho nada contra o homossexualismo e o considero razoavelmente natural do ponto de vista biológico.

Casamento homoafetivo:

A favor. Com toda sinceridade, sou contra o casamento em si. Por motivos que não convém explicar agora, acho algo insensato e fora de moda. Entretanto, se é da vontade das pessoas se casarem, não vejo por que não possam fazer isso, mesmo que sejam pessoas do mesmo sexo.

Definição de família como “homem + mulher”:

Contra. Família é aquilo que cada um considera ser. Para muitas pessoas, a família não é nem gente do mesmo sangue. Por que não poderia ser gente igual, ou seja, do mesmo sexo ? Desde que os pais consigam sustentar os filhos e os tratem bem, como se espera que pais tratem os filhos, não vejo problema.

Pesquisas científicas consideradas polêmicas:

A favor, com restrições. Se a pesquisa ou experimento oferecer algum grande risco ao planeta, como aqueles que envolvem enorme quantidade de energia nuclear, talvez seja melhor não colocar em prática. Em qualquer outro caso, se o objetivo for benéfico à humanidade, eu apóio, inclusive aquelas pesquisas taxadas de “imorais” e “antiéticas” por grupos religiosos, como as com células tronco e feto humanos. O progresso da ciência não pode ser impedido pelo moralismo hipócrita.

Utilização de animais em laboratório:

A favor. Se houvesse alguma forma precisa de analisar as reações a uma droga X num organismo não-vivo (sintético ou artificial, por exemplo), eu apoiaria a remoção de ratos e outros animais dos centros de pesquisa. Como não há, infelizmente temos de mantê-los lá. Há males que vêm para o bem (afinal, antes eles que nós). Da forma como a ciência progride a cada ano, não duvido que dentro de uma década ou duas tenhamos tecnologia suficiente para substituir esses animais de uma vez por todas. Vamos torcer por isso.

Cotas universitárias ou empresariais:

Contra. Pelo que percebo vivendo dia após dia, sou uma das poucas pessoas que gostam de realmente resolver os problemas, de cortar o mal pela raiz. Medidas paliativas, portanto, de nada adiantam. E o que é a cota senão uma medida paliativa ? Uma pseudo-solução ? É algo do tipo “vamos tentar consertar anos e anos de erros e injustiça com uma medida fácil, rápida, indolor e ilusória, assim o povo se contenta e não precisamos mais tocar no assunto”. Para mim, a solução do problema é muito mais profunda. Os excluídos, as minorias, os desprivilegiados, os pobres têm de receber do governo as mesmas condições que os outros têm, desde o início. Tudo começa na escola. Dê-lhes a mesma educação e as mesmas oportunidades e não será necessário criar vagas especiais para eles nas universidades e nas empresas. Como mudar a educação e a situação sócio-político-econômica é uma tarefa difícil, trabalhosa, custosa e deveras demorada, o governo continuará iludindo o povo com cotas. Pouco percebe que, ao tentar combater o racismo, o governo, ironicamente, propôs uma solução que me soa bastante racista por si própria. Ninguém pode ter vantagens: as oportunidades têm de ser iguais a todos.

Separação Igreja-Estado:

A favor. Governo e religião são coisas distintas e que nunca mais devem se misturar. Digo “nunca mais” porque já tivemos vários exemplos no passado e todos nos provaram que essa união não dá certo. Um governo religioso resulta em parcialidade, suspensão da razão e do pensamento crítico, perseguição religiosa/ideológica, repressão e justificação para atrocidades estatais. O Estado laico é uma conquista política imensurável resultante de séculos de Renascença e Iluminismo, devendo ser preservada como qualidade elementar em qualquer país que já a adote e instaurada onde não ainda exista.

Patriotismo:

Contra. Como ninguém escolhe o país onde nasce, é simples idiotice ter apreço por ele só porque foi onde se nasceu. É preciso elogiá-lo quando merece e apontar seus defeitos quando preciso, sempre de forma equilibrada e sensata.

Democracia:

Contra, com restrições. Fato: o povo é ignorante. Logo, esse mesmo povo não poderia jamais ter o direito de decidir por todos, inclusive os poucos que não são. Resumida,  a democracia é um sistema de governo em que a maioria ignorante decide pela minoria culta. Entretanto, dentre as opções viáveis, aquelas que são possíveis na prática (Comunismo descartado, portanto), ela parece ser a forma de governo menos pior. Antes ela que algum regime militar, governo totalitário ou uma monarquia. Vale a pena ressaltar que só sou contra a democracia em países onde a massa é pouco educada. Se o nível de escolaridade e de conhecimento de mundo da população for alto, não vejo grandes problemas no sistema de decisão majoritária.

Feminismo:

Contra. Infelizmente, o feminismo acabou se tornando igual ao machismo que ele tanto criticava inicialmente. Hoje, não passa de um movimento hipócrita que luta para empoderar as mulheres em seu feroz e insensato ataque aos homens, buscando sempre mais privilégios e vantagens e menos responsabilidades e deveres. “Direitos iguais” uma ova.

Igualitarismo:

A favor. Tratar todos da mesma forma é a maneira mais justa e sensata de se construir uma sociedade progressista e harmoniosa. A partir do momento em que um grupo é reprimido ou recebe algum privilégio, a sociedade começa a desandar.

Capitalismo:

A favor, com restrições. Infelizmente, perfeição não existe. Logo, é apenas uma obviedade dizer que o Capitalismo é falho (e bote falho nisso). Particularmente, não vejo nada de errado em trabalhar, ganhar dinheiro e depois comprar algo, que é basicamente o rito capitalista. O problema é que, numa sociedade capitalista, o dinheiro é venerado, fazendo do consumo exacerbado não só uma simples conseqüência, mas um objetivo natural, uma prática da qual se orgulham os endinheirados. Isso, é claro, sem falar nas injustiças sociais suscitadas por esse tipo de sistema econômico. Creio que o ideal seria uma versão desse sistema que visasse nossas necessidades mais básicas, um “Capitalismo Moderado de Existência”. A regra seria “compre o que você necessita, não o que deseja”.

Educação sexual na escola:

Contra. Falar sobre sexo com os filhos é tarefa dos pais, não de estranhos. Aos professores, cabe ensinar o currículo padrão.

Educação religiosa na escola:

Contra. Para dar as mesmas oportunidades a todos os alunos, a matriz curricular deve ser a mesma em todas as escolas, mesmo nas que não são dependentes do governo (particulares). As disciplinas a serem ensinadas devem ser as consideradas elementares (português, matemática, geografia, história etc.). Religião só poderia ser ensinada em igrejas, templos, mesquitas e sinagogas. Além disso, religião não é assunto para se tratar com crianças. Somente quando adultas essas pessoas poderão decidir se serão religiosas ou não e, se sim, qual religião praticarão.

Armas de fogo:

A favor, com restrições. É direito de todo cidadão de bem possuir uma arma para autodefesa. Sim, ela pode matar, mas um carro ou uma faca de cozinha também podem, então esse argumento não é suficiente para sua proibição. Seria necessário, entretanto, que as pessoas fizessem testes psicológicos (avaliações emocionais) e práticos (aulas de tiro) para conseguir a habilitação da posse, assim como fazemos para dirigir. Isso evitaria que essas armas caíssem nas mãos de gente doida e/ou sem preparo técnico para atirar. A atual proibição de armas no Brasil é absolutamente sem sentido, visto que as pessoas desonestas são justamente aquelas que desobedecem as leis. De que adianta ter uma lei que proíbe armas se os criminosos não a seguem ? O resultado disso é que só fica sem armas a parcela honesta da população, enquanto os bandidos estão se divertindo assaltando e matando gente com suas armas ilegais.

Vigilância constante do governo (câmeras por toda parte, escutas telefônicas, acesso a e-mails particulares etc.):

Contra. Pode dar impressão de segurança, mas não passa de ilusão. Como é impossível monitorar todos os cidadãos 24 horas por dia, para que tentar ? Além disso, o fundamental direito à privacidade é ferido por qualquer governo que espiona seu povo, mesmo que a intenção seja boa (prevenir terrorismo, por exemplo).

Leis que regulamentam a sexualidade:

Contra. O que duas ou mais pessoas maiores de idade em perfeita condição mental fazem entre quatro paredes, por mais que pareça estranho, não é da conta de ninguém. Se uma moça de 18 anos e um senhor de 65 querem ter relações sexuais, ninguém tem o direito de impedi-los, nem mesmo seus familiares. Da mesma forma, não temos motivo para proibir grupos de sadomasoquismo; se é o que eles gostam, o que temos com isso ? A lei da idade de consentimento (14 anos) é outra coisa que não entendo. De acordo com nossa lei atual, se uma pessoa com 13 anos tem relação sexual com outra, mesmo com consentimento, está constituído crime. Se a desculpa para essa limitação existir é a caracterização do crime de pedofilia, ou seja, abaixo de qual idade se pode considerar uma relação sexual pedofílica, a resposta é muito simples: o termo pedofilia diz respeito a crianças (“pedo” é “criança” em grego). Logo, deve ser considerada pedofilia a relação carnal com indivíduos de até 12 anos, pois, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, é esta a idade máxima para que se considere alguém uma criança.

Sexo antes do casamento:

A favor. O momento de iniciar a vida sexual deve ser decidido por cada um, não por regras moralistas religiosas que só fazem atrasar nossa sociedade.

Bater como forma de educar:

Contra. Bater em alguém é pura e simplesmente uma forma de violência, e com violência não se educa, se aterroriza. Se você quer que seus filhos o respeitem por meio do medo, dê-lhes chineladas. Se quiser respeito genuíno, aquele merecido e construído com o tempo, dialogue de forma saudável e esteja preparado para dizer “não”, a palavra mágica da educação filial.

 

© 23 de Agosto/14 de Outubro de 2015, por Klaus die Weizerbüken. Cópia proibida.

Anúncios

~ por Klaus die Weizerbüken em 18/10/2015.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: