Dilma: presidenta com orgulho, ignoranta sem personalidade

            Faz tempo que quero falar desse assunto. Pra ser mais exato, faz 3 anos e meio, desde que Dilma assumiu o cargo político mais alto do país. De lá para cá, inúmeras pessoas já trataram desse assunto, de forma que tratar dele agora pode parecer atrasado e soar repetitivo, mas não ligo: eu ainda não dei minha opinião.

            Quero falar hoje sobre o termo “presidenta”. Ele não é nem um pouco novo. Para se ter uma idéia, ele consta em um texto de 1880. Seu uso, entretanto, não foi muito discutido, tampouco difundido, pelo simples fato de nunca termos elegido uma mulher para a presidência. Durante a campanha de Dilma Rousseff foi quando a palavra tornou-se conhecida e ganhou força, mesmo que não muita. O que eu tenho a dizer sobre seu uso ? Bem, metódico como sou, dividirei este artigo de opinião em duas partes: a análise lingüística, que muito me cabe por minha formação acadêmica na área, e a análise política, social e psicológica, a qual farei de bom grado porque sou curioso sobre esses assuntos.

            A palavra “presidenta” existe ? É claro que existe. Eu não acabei de escrevê-la ? Contanto que você não seja mudo ou tenha algum problema de fala muito grave, se tentar pronunciá-la, provavelmente conseguirá. Que prova maior de sua existência ? Não estamos falando de Deus, apenas de um simples amontoado de letras. Uma palavra existe desde que seja concebida por alguém, não importando se essa concepção é física (escrita ou falada) ou abstrata (imaginada, pensada). A pergunta que realmente interessa, contudo, é “ela é correta ?”. Aaah… Aí são outros quinhentos ! A correção de uma palavra não é algo subjetivo. Se fosse, estaríamos perdidos. Cada um falaria e escreveria do jeito que quisesse e provavelmente teríamos muita dificuldade em nos entender. Uma palavra estar correta ou não é algo sujeito a legislação. Existem regras que, felizmente, nos direcionam quanto a isso. Resumindo a resposta: não, não é correta.

            Nossa língua, antiqüíssima e bastante difundida, tem alguns nomes (substantivos e adjetivos) advindos de verbos. Dentre esses nomes, estão alguns que indicam um estado exprimido pela ocorrência contínua da ação que o verbo original representa. Tais nomes são resquícios do Particípio Presente. Sim, isso mesmo, particípio. Aprendemos na escola o Particípio Passado, como “comido”, “bebido”, “falado” e “dito” (nada de “dizido”, tá?). Ele ainda existe em nosso português. O Particípio Presente, por outro lado, foi minguando. Ele existia no latim, idioma do qual o nosso deriva, e funcionava muito bem. Não sei por que cargas d’água, foi perdendo seu uso no português até que, simplesmente, deixou de ser verbo. Passou a ser nome, como disse anteriormente. Exemplos do Particípio Presente atual como adjetivo: sorridente e atraente. Sorridente é alguém que sorri bastante. Atraente é alguém que atrai. Exemplos como substantivo: gerente e representante. Gerente é quem gerencia e representante é quem representa. Fácil, não é mesmo ? Temos um verbo e, desse verbo, criamos um nome que descreve a repetição sucessiva da ação descrita pelo verbo, apenas acrescentando “nte” ao seu final (resultando em “ente”, “inte” ou “ante”). Seguindo essa lógica elementar, temos que quem preside é… (pense por alguns segundos; vamos lá, não é tão difícil assim !) …presidente !!! Uma salva de palmas para os que acertaram !

            Dilma adora o termo. É comum incluí-lo em discursos, o que soa bastante forçado, já que ela fala de si em terceira pessoa. Percebe-se, quando ela o pronuncia, um orgulho implícito. Ela ama se autointitular “presidenta”. Acho isso muito estranho… Quando ela pega uma doença, duvido que fique “doenta”. E se vai ao médico para tratá-la, não passa a ser “pacienta”. Ela não diria que teve muitas espinhas quando era “adolescenta”. Quando vai comprar algo em uma loja, não é tratada como “clienta”. Se tivesse um romance fora do casamento, duvido que o parceiro dela a chamaria de “minha querida ‘amanta’ ‘carenta'”. E para alavancar seu populismo barato, que tal criarmos um novo eslôgã para seu governo ? Algo do tipo “Dilma: genta como a gente !”.

            Sabe qual é o maior problema com o termo “presidenta” ? Nem é sua incorreção. O problema é que ele abre precedentes (olha um P.P. aqui). Temos de ser justos: se abrimos uma exceção para um, temos de abrir para outros que terminam com “nte”. Afinal, não podemos escolher a dedo “essa palavra sim, aquela não”. Se “presidenta” for permitido, então também teremos de permitir “estudanta”, “inteligenta”, “excelenta”, “exigenta”, “eleganta”, “diferenta”, “arroganta”, “incompetenta”, “interessanta”, “contenta”, “irritanta”, “importanta”, “prudenta”, “aparenta”, “bastanta”, “ardenta”, “atendenta”, “regenta”, “acompanhanta”, “dançanta”, “solventa”, “conseqüenta”, “subseqüenta”, “videnta”, “remetenta”, “residenta”, “reluzenta”, “sencienta”, “falanta”, “ouvinta”, “atacanta”, “assaltanta”, “feiranta”, “poenta”, “poluenta”, “pretendenta”, “assistenta”, “dirigenta”, “agenta”, “proponenta”, “vigenta”, “montanta”, “restanta”, “pedinta”, “mendicanta”, “serventa”, “fluenta”, “caminhanta”, “constanta”, “constituinta”, “existenta”, “docenta”, “enta” e muitas outras. Também teríamos de abrir exceções para outras palavras, mesmo que não fossem Particípios Presentes. Então haveria “sujeita”, “indivídua”, “ser humana”, “sexa”, “gênera”… Basicamente, transformaríamos tudo que tem O no final.

            Sabe o que é pior ainda ? Teríamos de abrir exceções para o outro lado, ou seja, “masculinizar” alguns termos. Digo “teríamos” apenas para sermos justos, não porque os machos estão reclamando e demandando direitos iguais. Não vejo homens formados em odontologia exigindo que sejam chamados de “dentistos”. O cacique da tribo não prefere que falem dele como um “indígeno”. Um cara que vai à corte porque viu um crime não requer ao juiz que seja referido como “testemunho”. Reis não mandavam que seus súditos os chamassem de “monarcos”. Uma pessoa dotada de cromossomos XY não gostaria de ser chamada de “pessôo”. E o mais engraçado é que, morfologicamente, o termo “presidente” nem é masculino, é um substantivo comum de dois gêneros, ou seja, é um termo unissex ! Desde quando um E no final da palavra obrigatoriamente a torna masculina e um A torna-a feminina ? Essa é uma dedução superficial de quem não conhece nosso idioma. Uma criança até pode pensar assim, mas não um adulto formado.

            Veja o caso da palavra “gestante”. Já parou para pensar que ela só pode se aplicar a um ser do sexo feminino ? Então por que é que termina em “ante”, não “antA” (sem trocadilhos) ? Se a regra do “a” no final para termos femininos fosse verdadeira, “gestante” obrigatoriamente deveria ser “gestanta”, mas tal palavra não é registrada em nenhum dicionário, tampouco é usada pelo povo. E não pense que é um substantivo comum de dois gêneros, como “presidente”: é definido pelos dicionários como “substantivo feminino”. É mais do que justo definir como palavra feminina um termo que só pode ser usado para mulheres (e não porque estão sendo misândricas ao excluírem os homens, mas por uma óbvia questão biológica). “Presidente”, por outro lado, não é um termo usado só para homens ou só para mulheres, pois ambos podem ocupar o cargo, de forma que faz total sentido que seja um termo comum de dois gêneros. A impressão que tenho é de que as pessoas colocaram na cabeça que “presidente” é um substantivo masculino porque sempre tivemos homens na presidência. Com a eleição de uma mulher em 2010, sentiram-se pressionadas a feminilizar o termo, o que não se justifica por ele já ser naturalmente unissex. Isso tudo, portanto, nos leva à grande pergunta: por que raios Dilma e seus aliados fogem de “presidente” como o Diabo da cruz ? Pois é aí que começa nossa “sessão terapia”. Sente-se e relaxe…

            O mundo é dos homens. Sempre foi e continua sendo. Encare a verdade de cabeça erguida ou vá chorar em seu quarto (chamar a mamãe também é uma opção). Se continuará assim, não sei; não tenho “bola de cristal”. É inegável que as mulheres têm conquistado um espaço enorme, principalmente nos últimos 20 anos. Estão corretíssimas: vivemos num mundo totalmente injusto, inigualitário. A coisa mais sensata a se fazer é lutar por seus direitos. Isonomia de gênero ? Apoiada ! Homens e mulheres não são iguais nem física nem psicologicamente, mas têm de ser entendidos pela lei e pela sociedade como seres equivalentes. Um não pode ter mais que o outro. Vantagens ? Ninguém as pode ter, pois não existe igualdade onde existem privilégios.

            “Homens/mulheres” não é a única dicotomia social existente (P.P.): brancos e negros, índios e caras-pálidas, europeus e latino-americanos, héteros e homos, patrões e empregados, pobre e ricos… há várias lutas sociais dentro de nossa sociedade, e cada um defende seu lado. O problema surge quando elevam isso a níveis insuportáveis. Qualquer coisinha é motivo de reclamação (ou mesmo de processo, nesses dias atuais). Qualquer contrariedade ao grupo oprimido fá-lo vociferar poucas e boas sobre a luta de seu grupo contra as pressões da sociedade moderna. Até já virou piada: quantas vezes não ouvi brancos dizendo, em tom de chacota, “só porque eu sou negro, né ?!”. Realmente, chega a um ponto em que cansa. Já imaginou discursar em português de forma “politicamente correta”, falando o masculino e o feminino para cada palavra ? Pois é, Dilma já; não é à toa que sempre diz coisas do tipo “brasileiros e brasileiras” (herança do papai Lula) e “todos e todas”. Ridículo. Que culpa tem a língua se essa questão enveredou pelo caminho sócio-político-ideológico ? Admito que o português seja uma língua androcêntrica, ou seja, que dá preferência ao gênero masculino, mas isso tem a ver com questões histórico-lingüísticas. O latim tinha o gênero neutro, mas o português e o espanhol, dois idiomas advindos de seu ventre, não têm. Fazer o quê ? Quando digo algo no masculino genérico (“o homem tem de aprender a conviver com a natureza”, por exemplo), sinceramente não acho que esteja, de forma alguma, contribuindo para a discriminação contra as mulheres ou incitando a misoginia. E verdade seja dita: só mulheres complexadas, inferiorizadas se implicam com isso. Uma mulher segura, que luta por seus direitos e tem consciência de seu papel e de sua importância na sociedade, não dá a mínima para uma questão tão insignificante. Ela está preocupada com a objetificação sexual da mulher, com o trabalho escravo feminino, com o tráfico de garotas para a prostituição. Esses, sim, são assuntos sérios e que merecem a atenção da sociedade. Se você é mulher e quer lutar pelos direitos de sua turma, tem meu apoio. Apenas tome cuidado com o extremismo, com o radicalismo, pois você pode acabar se tornando uma “feminazi”, um Hitler de saia.

            No caso em questão, o uso de “presidenta” é compreensível do ponto de vista psicológico. Freud explica, mas prefiro explicar eu mesmo: as mulheres agarraram com toda a força uma oportunidade de ouro para mostrar que o mundo está ficando mais feminino. Ilusões à parte, Dilma representa uma gama desesperada da população por um pouco de poder. Mulheres praticamente nunca tiveram poder. Da noite para o dia, estão no patamar mais alto do governo da República Federativa do Brasil. É mole ?? Nesse sentido, entendo que tanto ela quanto as outras mulheres defensoras dos direitos femininos façam questão de feminilizar o termo que dá nome ao cargo. Não porque é Dilma; poderia ser qualquer outra songa-monga. É porque é uma mulher. Qualquer uma que estivesse lá cederia à pressão e se diria feminista para agradar. Mas é só ilusão mesmo. Insistir em “presidenta” é insistir na idealização da figura da mulher detentora do poder. É a busca por uma personalidade da qual as mulheres foram destituídas durante milênios de discriminação e rebaixamento. Resumindo, não passa de uma questão política mesclada com um pouco de problemas psicológicos mal resolvidos e muita repressão social.

            Como último recurso, quando a desculpa moralista e pseudo-revolucionária não cola, as dilmetes apelam ao dicionário: “‘presidenta’ está dicionarizado !”. E daí ? “Zoar” também está. Isso significa que posso utilizar esse termo como bem quiser, em qualquer tipo de texto, em qualquer contexto ? Não, significa apenas que é uma palavra reconhecida da língua. No próprio texto de descrição do verbete, fazem questão de demarcar “zoar” como gíria, para que todos saibam que seu uso é limitado, talvez localizado, e provavelmente recriminado. Um dicionário não é nada além de um livro que reúne as palavras de uma língua (e as explica, claro). Para que uma palavra seja considerada parte de uma língua, basta que várias pessoas comecem a utilizá-la. Em dado momento, ela será considerada comum e de entendimento de todos, de forma que poderá ser incluída num dicionário. Não significa que seja bonita ou correta, apenas que existe.

            Essa é a mesma escusa proferida por gente da área, a quem essas questões de cunho lingüístico realmente competem. Quando lingüistas e gramáticos defendem o uso de “presidenta”, eles defendem justamente isso: seu USO. Não falam em correção lingüística, gramatical, morfológica, etimológica ou ortográfica. Apenas alegam “está no dicionário” e/ou “é de uso difundido”. Que está lá é óbvio. Basta pegarmos um Michaelis, Aurélio ou Houaiss e vermos (interessante notar que o significado principal desse verbete nesses livros é “esposa do presidente”, um título que não deixa de ser inferior para um cargo “subalterno”; presidenta como “mulher que preside” é a acepção secundária). Que a palavra é usada, ou seja, que as pessoas costumam utilizá-la com razoável freqüência, também é óbvio. Basta ligar a TV ou o rádio para ouvir partidários pró-Dilma discursando (e note bem isso: na maioria das vezes, quem usa “presidenta” mostra, implicitamente, aprovação de seu governo. Vale mencionar que a maioria absoluta dos jornais, revistas e sites continua utilizando o bom e velho “presidente”. A proporção, em 17/09/15, é de 1.480.000 resultados no Google para “presidenta Dilma” contra o esmagador 9.110.000 para “presidente Dilma”; confira por si próprio digitando ambos os termos lá). Volto ao mesmo ponto: a questão não é se a palavra existe, se está no dicionário, se é utilizada, se é “justa”, se é bonita, se soa bem ou se preferem-na em detrimento de “presidente”. A questão é se é correta ou não, e isso eu já comentei lá atrás. Em suma, “presidenta” não é uma conquista das mulheres. É uma ilusão de liberdade e uma falsa vitória que elas insistem em alimentar e exibir como virtude em prejuízo da percepção do real status quo das coisas.

            Quem me conhece sabe: sou liberal com relação a muitas coisas. Entretanto, quando se trata de língua e de cultura (dois conceitos intimamente ligados), sou bastante conservador. Sinto-me no dever de defendê-las porque são frágeis e sofrem nas mãos do povo. A língua não é senhora das pessoas, mas justamente o contrário: é subordinada a elas. Uma palavra isolada é só um amontoado de letras, uma entidade inócua. Uma palavra sem dono é só uma palavra; uma palavra adotada é uma idéia. Somente quando apropriada por alguém que saiba usá-la ela pode virar uma arma. O que isso significa ? Significa que, se o português é uma língua machista, isso é assim porque o povo que a fala é. “Corrigir” a língua vai corrigir um problema que é social e histórico ? Por mais que a língua faça parte da sociedade e seja parte constituinte (mais um P.P. !) da cultura de um povo, não. O buraco é bem mais embaixo. O problema é bem mais profundo que isso. A língua é só a superfície, a ponta do iceberg; ela é a pista dada pela sociedade de que algo, lá embaixo, já começou de forma errada. Teremos de cavar fundo se realmente quisermos resolver a questão da desigualdade de gênero. Não temos de mudar palavras; temos de mudar cabeças. Não é uma desinência de gênero que mitigará as desigualdades sexuais. Um A no final de uma palavra não torna uma sociedade mais justa e menos discriminadora. Direitos às mulheres, sim, mas, de uma vez por todas, deixem a coitada da língua em paz !

 

© 31 de Março/1 de Abril/20 de Setembro de 2014 , por Klaus die Weizerbüken (a cópia não-autorizada deste texto pode resultar em pena de morte).

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~ por Klaus die Weizerbüken em 31/03/2014.

12 Respostas to “Dilma: presidenta com orgulho, ignoranta sem personalidade”

  1. Maravilhosa observação ! Caro amigo.

  2. Interessante mencionar que acabei de ler uma reportagem do “Estadão” que menciona Dilma como “presidente”.

    • É mesmo ? Bacana… Realmente, alguns jornais têm instituído uma “norma interna”. Alguns adotaram o “presidenta” e outros mantiveram-se firmes com o “presidente”. O mesmo aconteceu com revistas e com a televisão e o rádio. Exemplos: o JusBrasil, site que você deve conhecer, o G1, o R7, o Terra e mesmo alguns veículos regionais como Tribuna de Indaiá continuaram com “presidente”. O UOL e alguns menores, principalmente blogues de notícias (não sites), aderiram à moda de “presidenta”.

  3. E parenta, pode?

    • Não vejo problema com os termos “parenta” e “elefanta”. Como não são substantivos que vêm de verbos, não seguem a mesma regra de “presidente” e outros. Contudo, confesso que nunca usei “parenta”, só “parente”.

  4. Meu amigo, é viável, não só a você mas a todos que se valem do meio público-informacional, que se informem profundamente acerca daquilo que escrevem e disponibilizam ao público nos meios de comunicação, sobretudo internet (que hoje é uma faca de dois gumes), visto que a responsabilidade do que aqui é veiculado é grande, pelas suas consequências. Portanto, sugiro leitura e que você aprofunde seus conhecimentos antes de despejar informações insensatas.
    Se você não quiser discordar de um dos maiores gramáticos do país – professor Pasquale -, e deixar suas ‘convicções’ políticas de lado ao analisar de forma imparcial o assunto, saiba que ‘PRESIDENTA’ é sim correto e nossa representante, como ocupante do cargo, tem o direito sim de usar.
    Como diz um desses filósofos do povo: ‘Desconfie de tudo na internet.” rs
    Obs: Antes de tentar taxar e analisar sob um viés simplista nossa língua portuguesa, lembre-se de que ela é uma das mais complexas e complicadas do mundo, portanto evite se apegar a ‘achismos’.
    Abraço.

    • Eu poderia discorrer sobre o assunto durante horas e horas, trazer novamente todas as informações etimológicas e gramaticais que já disponibilizei no texto, alegar que você não sabe do que está falando porque não é da área, enquanto eu sou formado em Letras, alegar que você é um puxa saco de Pasquale, que está pessoalmente ofendido pelo assunto (sei lá o porquê), mas… eu não preciso fazer nada disso. Para invalidar seu argumento, só preciso fazer uma simplória pergunta: você concorda com a palavra “presidento” ? Usaria essa palavra em seu cotidiano ? Se você responder não, então entende exatamente meu ponto de vista (“presidente” é subst. comum aos dois gêneros, não havendo necessidade alguma para “presidenta” e “presidento”). Se responder sim, é porque é um daqueles que acham que podem fazer o que quiserem com a língua, um anarquista lingüístico, quando, na verdade, a língua tem regras que devem ser respeitadas tanto quanto as leis presentes na Constituição. Ademais, esperaria consistência de sua parte, ou seja, esperaria que você realmente usasse o termo “presidento” sem vergonha alguma em seu dia-a-dia, mesmo sabendo que darão risada de você (simplesmente porque é absurda).

  5. Gostei do seu texto.
    Vi que você colocou o link em uma página do Pasqualine que estava defendendo o termo presidentA.
    Parece que a sociedade retardou. Agora, tudo que é pocaria é inserida no dicionário e quer dizer que está corretíssimo?
    Algum tempo atrás, estava olhando um site e encontrei a palavra “caubói” (originado em cowboy), isto é, aportuguesaram a palavra e está no dicionário, mas não vejo ela como certa, afinal, a palavra original é do inglês e tem tradução ‘garoto vaca’ se referindo às pessoas que cuidam de animais do campo.
    Me causa espanto!
    Se pela lógica da Dilma ela quer ser chamada de presidentA, ao passo que ela insere gênero a essa palavra, então o presidente homem agora passa a ser chamado de presidentO.

    • Um dicionário é apenas um livro que registra o que o povo fala, então não é o povo que segue o dicionário, mas o inverso. Ou seja, se uma palavra é criada e repetida muitas vezes por muita gente, é provável que entre para o dicionário. O termo presidenta foi dicionarizado por isso e seu uso é permitido, mas não quer dizer que não seja um absurdo do ponto de vista linguístico. Esse absurdo se torna evidente quando se pensa no termo correspondente para o outro gênero, “presidento”, como você bem colocou. Quanto a “caubói”, não tenho nada contra. É um caso diferente de “presidenta” porque é um aportuguesamento de palavra estrangeira. Sou favorável a fazermos nossa própria versão de palavras de fora, como leiaute (layout) e blecaute (blackout), porque acho que fica muito estranho colocar um termo em outra língua no meio de um texto em português.

  6. mude o volp, pois lá as duas formas são reconhecidas. Ou, se preferir, mude a Lei federal 2.749, de 1956, com a ajuda dos seus coxinhas.

    • O VOLP nada mais é que um registro de palavras, e eu já comentei no texto sobre o fato de o termo “presidenta” estar registrado em dicionários. Leia de novo se não entendeu. Quanto à lei, não faz diferença alguma. O termo continua sendo errado do ponto de vista etimológico: particípios presentes terminados em “ente” não têm feminino “enta”. Não é porque um deputado ou um senador colocou o termo no papel e o fez valer como lei que ele passa a ser correto, milagrosamente. Quanto ao viés político de seu comentário, desconsidero. Essa é uma questão linguística, não uma rusga política entre coxinhas e mortadelas. Tanto que, nesse longo artigo, me abstive de fazer comentários políticos, relativos ao governo de Dilma, e preferi focar o conteúdo relativo à língua.

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