10 Fatos (simples e irrefutáveis) sobre a Bíblia

1 – A Bíblia não foi escrita por Deus (a divindade judaico-cristã) nem nenhum deus (uma deidade qualquer), foi escrita por seres humanos. (O motivo para isso é muito simples: Deus não chegou a concluir a pré-escola, então sequer sabe escrever.)

2 – O plural da afirmação anterior não poderia ser mais verdadeiro: literalmente incontáveis homens (e até mulheres) contribuíram para a escritura do livro mais conhecido do planeta, o que explica o conteúdo altamente contraditório e os estilos tão discrepantes. A maior parte das fontes cita 40 como o número de autores, mas quem garante que não foram 100 ou 1000 ? Adicione a isso o fato de cada um tê-lo feito numa língua (hebraico, aramaico e grego koiné; alguns escritos posteriores foram feitos em copta) e a confusão está feita (isso sem nem mencionar as centenas de milhares de traduções e versões).

3 – Se a afirmação anterior é verdadeira (e realmente é tida por historiadores como fato), a Bíblia é totalmente parcial. Não existe discurso humano que seja 100% imparcial, o que quer dizer que o grande livro contém opiniões e revela o pensamento de cada um dos que o escreveram, o que explica as inúmeras passagens de clara discriminação e ódio, advindas do julgamento de valor feito por cada autor com base em suas crenças pessoais. Um livro que deveria disseminar o amor e a compaixão entre os homens incitando preconceitos e guerras ? Tsc tsc tsc… Onde esse mundo vai parar ? (Citação de exemplificação*: “Disse Jesus: Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o filho e seu pai, entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra, assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim; e aquele que não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. O que acha a sua vida, perdê-la-á; mas o que perde a sua vida por minha causa, achá-la-á.” – Mateus 10:34-39)

*Até já sei o que os religiosos alegarão: eu interpretei essa (e todas as outras) passagem da Bíblia incorretamente. É justamente sobre isso que trata o número 9 deste ensaio crítico. É uma questão de interpretação: a minha certamente está errada; a deles, indubitavelmente correta.

4 – A Bíblia se autoproclama verdadeira. Tudo que nela está contido é verdade porque ela mesma diz que é. É como uma pessoa dizer que não mente e dar como prova a própria palavra (“eu juro !!”). E nem tente rebater essa autoproclamação porque os autores da Bíblia foram “espertinhos” (no mal sentido): já se preveniram de futuras refutações de suas palavras alertando os fiéis de que todos que contradissessem o livro sagrado seriam loucos ou aliados do anticristo, ou seja, só o fariam para testar a fé dos leitores. “Eu não minto. Essa afirmação é verdadeira porque eu mesmo estou dizendo, e eu não minto. Qualquer um que discordar de mim não bate bem da cabeça ou é satanista”. Como contrariar tal argumento ? É melhor acreditar, então…

5 – Ela é o maior clichê escrito de todos os tempos. Na verdade, ultrapassa os limites do clichê e chega ao patamar do plágio. Praticamente tudo que está escrito ali foi baseado em algo que já havia sido escrito em algum outro lugar por algum outro povo (principalmente, mas não exclusivamente, egípcios, sumérios, assírios, mesopotâmicos, persas, cananeus e gregos). Alguns chamariam isso de “inspiração”, mas copiar descaradamente até mesmo datas e situações já não são mais meras “inspirações”. De certa forma, portanto, a Bíblia é uma compilação de histórias com nomes alterados para que os autores não fossem processados por infringência de direito de propriedade intelectual. Hehe.

6 – Não é um livro criativo. Com tantos autores e tantas histórias nas tantas páginas, esperava-se que fosse um livro bem imaginativo, mas, além de ser pura cópia (afirmação 5), foi escrito de forma imediatista. Isso quer dizer que todas as partes inventadas foram inventadas só na essência; os exemplos dados são todos baseados em coisas mundanas, que se apresentam diante de nossos olhos de forma imediata. Harry Potter e O Senhor dos Anéis ganham por anos-luz no quesito “criatividade”. Basta pensarmos em como são imaginados o céu e o inferno*. Céu: nuvens, tudo azul e branco, tesouros (a Bíblia incita o materialismo alegando que as posses estarão esperando pelo dono lá no paraíso, onde não há ladrões que o roubem), água cristalina em calmas correntezas, campos verdes, montes onde conviverão o lobo e o cordeiro em harmonia, pureza, luz, claridade, paz, contentamento, anjos (crianças sem sexo e com asas e liras), portões grandiosos, árvores lindas com frutos perfeitos, um homem que se parece com o ser humano (estranho isso, né ? Deus tem nossa cara porque ele nos criou à imagem e semelhança dele ou porque nós o criamos ??)… Inferno: fogo, fumaça, enxofre, brasa, fornalha, cinzas, pedras, vermes, pragas, males, fome, vales, abismos, escuridão/trevas, secura, sujeira, podridão, sangue, sofrimento, agonia, lamentação, corrupção, castigo, um cara maldoso que tem chifres de bode (figura demoníaca em várias culturas), rabo e tridente… Estranho tudo isso existir de verdade, não é ? Tudo isso está aqui, na Terra, não é nada desconhecido. Por que não há no inferno um cão de três cabeças  ? Por que não há no céu um elemento mágico chamado ‘kriptonita’ ? E outra: como sabiam os escritores da Bíblia que havia tudo isso nesses supostos lugares ? Eles morreram e voltaram pra contar história ? Deus ditou tudo isso para eles escreverem ? Mais uma: como pode nenhuma das personagens da Bíblia ser de uma terra distante ? Todas são das áreas que hoje conhecemos como Oriente Médio, Norte da África e Europa. Só ! As terras onde hoje são a Austrália, a Antártida, a Groenlândia e mesmo o Brasil já existiam, geologicamente, nessa época remota de escritura, não ? Então por que não são nem citadas ? É claro, porque essas terras ainda não haviam sido descobertas, então os autores não tinham como falar a respeito. Eles só podiam falar do que conheciam, por isso o resultado é um apanhado do conhecimento imediato humano disponível até então. Será que nem mesmo Deus sabia dessas regiões do globo nessa época ?? Que discriminação contra os australianos e os neozelandeses ! Nesse sentido, portanto, as outras mitologias ganham da judaico-cristã por serem mais imaginativas (a hindu tem deuses com 8 braços, a chinesa tem dragões, a grega tem os temíveis monstros Minotauro e Medusa, a nórdica tem Thor com seu poderoso martelo mágico e por aí vai…). Darei só 3 pontinhos para a Bíblia pela cobra que fala, pela mágica transformação da costela em mulher e pelo gigantão Golias.

*A Bíblia não os descreve assim, detalhadamente, como estou fazendo. O que fiz foi agrupar todas as características mencionadas em um capítulo ou outro, dando uma noção geral de como os escritores do livro visualizavam esses dois lugares. Outras características mencionadas provêm de inclusões posteriores feitas pela Igreja Católica, como a figura do Diabo caprino.

 7 – Não é 100% verídica. Disso, todos já deviam saber, ainda mais depois de lerem todos os seis fatos anteriores. Aqui, contudo, foco as questões histórico-geográfica, científica e humana. A escritura da Bíblia foi uma tal confusão (passando de mão em mão ao longo de séculos) que personagens, lugares e datas se misturam e se perdem no mar da imprecisão. A Bíblia desafia o espaço-tempo. Maior exemplo: a Terra só teria aproximadamente 6.000 anos*. Já foram encontrados simples VASOS DE BARRO com mais de 6.000 anos, o que significa que já havia povos civilizados em 4.000 AEC**. Mas tudo bem, porque é tudo obra de Deus, e ele pode, não é mesmo ? Quanto às personagens desse livro de literatura delirante, muitos não tiveram existência comprovada até hoje, entre os quais Salomão, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, alguns dos discípulos e o próprio Jesus (não precisa nem falar de Deus, né ?). Na verdade, seria muito mais fácil perguntar “quais personagens bíblicos têm comprovação histórica ?”. Outro exemplo legal: existem 4 Tiagos na Bíblia. Depois de anos de “cutucadas” de historiadores e arqueólogos, alguns cristãos já estão começando a admitir que TRÊS DELES SÃO A MESMA PESSOA. Quer mais ? A Bíblia não se decide em quantos são os discípulos e quais seus nomes. Uma hora são 12, outra são 14. Na verdade, se contarmos todos os mencionados no Novo Testamento, são 24 ao todo: Simão/Pedro, João, Tiago, André, Felipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, zelote, Judas, filho de Tiago e Judas Iscariotes. Depois vieram mais 13: Matias, Tiago, o meio-irmão de Jesus, Barnabé, Paulo, Apolo, Timóteo, Silas, Epafrodito, Andrônico, Júnia e mais dois não nomeados. E por falar em nomes, uma hora é Bartolomeu, outra Natanael. Uma hora é Mateus, outra é Levi. Uma hora é Tomé, outra é Dídimo. Uma hora é Judas, outra é Tadeu, outra é Lebeu, outra é Dadeus (isso sem contar Simão, que teve seu nome “mudado” por Jesus para Pedro). Se você quiser saber como cada um morreu, poderá escolher entre várias opções; Judas Iscariotes, por exemplo, morreu enforcado E pela queda de um precipício (que, de tão bruta, fez seus órgãos saírem). Quer mais ? Um fulano chamado Matusalém teoricamente viveu mais de 950 anos. É mais do que o animal que mais viveu na Terra (um molusco de 507 anos***). Quer mais ? O ser humano veio do pó (ou do barro/argila, variando com a tradução; não melhora muito, covenhamos…). Nada de água cheia de sais e nutrientes, matéria orgânica, células, moléculas. Poeira do solo. Chega, né ?

*A Bíblia não diz isso com todas as letras, mas, fazendo simples contas de adição, somando as idades dos patriarcas em sucessão, chegamos a um número próximo de 6.000. Um dos primeiros a calcularem isso foi James Ussher, um arcebispo irlandês do século 17. Segundo ele, o mundo foi criado por Deus exatamente em 22 de Outubro de 4004 a.C., um Sábado. Haja precisão, heim ? Ainda que vários religiosos estudiosos da Bíblia discordem desse cálculo, ele é aceito por vários cristãos. Outros cálculos da idade do mundo incluem os de Jose ben Halafta, São Beda e Joseph Scaliger, além dos grandes foras dos físicos Johannes Kepler e Isaac Newton (até tu, Newton ??).

**Antes da Era Comum. Uma forma não tendenciosa de dizer “antes de Cristo”, que carrega alta conotação religiosa. Que sentido tem um praticante do Siquismo dizer “antes de Cristo” se ele não admite a existência de Jesus nem o reconhece como o messias ?

***exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/cientistas-matam-animal-de-507-anos-durante-estudo

8 – Deveria ser censurada para menores de 18 anos tal como os filmes violentos e sexualmente insinuantes. O número de barbáries contidos na Bíblia é absurdo. Não só crimes propriamente ditos (que hoje seriam punidos com prisão perpétua ou até pena de morte em vários países), mas crimes sociais e éticos (que não recebem punição). A tarja preta com o escrito “Não recomendado para menores de 18 anos” deveria vir acompanhada da explicitação de motivos “Desvirtuamento de valores éticos e morais, abuso sexual, incesto, violência acentuada (agressão física pesada, tortura, crucificação…), infanticídio, genocídio, apologia do ódio, apologia da escravidão, incitação da discriminação, privação e restrição de liberdade, prostituição, consumo de drogas, conflitos psicológicos intensos etc.”. E pode ter certeza de que o “etc.” ainda esconde muita coisa.

9 – Pode ser interpretada de duas formas: literal e subjetivamente. Os que escolherem a primeira opção devem começar a procurar vaga no hospício mais próximo hoje mesmo. Sem brincadeira alguma, é preciso ser literalmente louco (no sentido mental da palavra) para acreditar em tudo que está ali da forma como está, ao pé da letra. É como ler o supracitado Harry Potter e sair por aí em busca de Hogwarts, como se realmente existisse. A alternativa a isso não é menos lunática ou caótica: interpretar é algo perigosíssimo. 100 pessoas podem ler o mesmo texto e ter 100 interpretações diferentes sobre ele. É por isso que o caos religioso se instaurou: cada um leu de uma forma e decidiu agir como bem entendia. Quantas guerras e conflitos ideológicos não teríamos evitado sem a Bíblia ou qualquer outra obra religiosa sagrada (Corão, Tanakh, Livro de Mórmon, Maabárata…) ??

10 – A Bíblia é resultado de séculos e séculos de escritura, realizada por diversos autores, disseminada por todo o globo, influência mor na vida de bilhões de pessoas, mas… não passa de mais um mito (de fato, uma coleção de mitos). Cheio de dúvidas, o homem se vê na obrigação de tentar explicar as coisas do mundo. Cada povo fez de sua forma. Muitos inventaram histórias que foram passadas de boca em boca ao longo das gerações. Outros pintaram os feitos heróicos dos supostos deuses nas paredes de tumbas e palácios. Alguns escreveram livros. Simples assim. Como livro, a Bíblia serviu como meio de propagação de uma ideologia e como instrumento de dominação. O objetivo, desde o princípio (da escritura, não do Gênesis !), era atrair o maior número de pessoas que acreditassem nas histórias que estavam a ser contadas para que se pudesse ter controle sobre elas. Uma vez que atingiram esse objetivo, os que estavam por cima passaram a dar ordens e a reinar sobre esses “súditos”, que passaram a obedecê-los sem sequer pensar no que estavam fazendo. E assim continua até hoje.

Como me propus a escrever 10 fatos, paro por aqui. Um dia talvez eu tenha a paciência de escrever outros 990. Fonte de inspiração é o que não falta: basta abrir uma Bíblia em qualquer página ! Aos religiosos, fica o desafio: refutem.

 

© 3/7/8/9/11 de Janeiro de 2014, por Klaus die Weizerbüken (a cópia não-autorizada deste texto pode resultar em pena de morte).

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~ por Klaus die Weizerbüken em 11/01/2014.

Uma resposta to “10 Fatos (simples e irrefutáveis) sobre a Bíblia”

  1. A BÍBLIA SÓ SERVE PRA LIPAR O CU.

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