Aportuguesando

Todos que me conhecem sabem que, em geral, tenho idéias e ideais bem liberais, até mesmo revolucionários. Todavia, sou bem conservador concernindo duas questões: cultura (incluindo costumes/tradições, tanto que, para mim, não existe Dia das Bruxas – tampouco “Halloween”) e língua. Devo admitir: sou ferrenho adorador da Língua Portuguesa, a ponto de destacá-la como uma das mais completas e bem estruturadas línguas do mundo, talvez até mais que as outras românicas (como Latim, Francês, Romeno…), que as nórdicas (Norueguês, Sueco, Dinamarquês…) e que as eslavas (Russo, Bielorrusso, Ucraniano…). Portanto, como devem ter presumido, defendo-a com unhas e dentes do famoso “estrangeirismo”. Assim como qualquer outra língua, o português recebeu influências de outros países, outras culturas, ou seja, foram introduzidos termos e expressões de fora em nosso vocabulário, e isso não dá para mudar. O cerne da questão é: devemos manter a forma original da escrita ou “aportuguesá-la” ? Sou partidário da segunda opção, uma vez que é extremamente desagradável ter que pronunciar termos estrangeiros enquanto falamos nossa própria língua-mãe (sem contar que nenhum brasileiro pronuncia esses termos da forma correta, e convenhamos: com essa globalização descarada, surgem novos termos a cada dia). Proponho, então, em vez de fazermos reformas descabidas, inconstitucionais e inúteis (como a última que tivemos não há muito), fazermos a Reforma Ortográfica de 2010: Adequação ao Estrangeirismo. Segue abaixo a lista com minhas proposições (só para constar, serão estas grafias que eu, Weizerbüken, usarei neste blogue*).

Do Inglês:
AIDS – SIDA (#, –)
aerosol – aerossol (#, + –)
banner – bâner (+ –)
black-out – blecaute (+), apagão (versão em português mesmo, já usada há algum tempo)
blog – blogue (+)
bluetooth – pareamento (+ -), pareamento ondular (–)
commodity – comódite (#, +)
copyright – direito de [objeto ou ação que está sob licença] (+) (ex.: direito de imagem, direito de composição, direito de filmagem] (nada de “copirraite” !)
cyber – cibernético (+)
deficit – défice, já que “déficite” não poderia existir em Português (#, +)
delivery – entrega (+)
design – desenho (#, +), desaine (-)
download (verbo) – baixar (+), fazer baixamento (-)
download (substantivo) – baixamento (+ -)
feedback – retorno (+) (nem me falem do horrível “retroalimentação” ! Que coisa medonha…)
hall – rol (#, + –)
hamburger – hambúrguer (+; não devemos nos esquecer nem do acento, nem do U entre o G e o E)
Home Page – página inicial (+)
internet – internete (+ -), rede (+), rede virtual (-)
lag – legue (-)
laptop – computador portátil (+), computador (+ -), computador de colo (-)
layout – leiaute (#, +)
link – linque (#, + -)
mouse – mause (-), rato (#, -)
notebook (aparelho eletrônico, apesar do termo ser pouquíssimo usado fora do Brasil) – computador portátil (+), computador (+ -), computador de colo (-)
off – de desconto (+; usado como locução adjetiva)
pen-drive (raro fora do Brasil)/flash-drive – dispositivo de armazenamento de dados (–), diretório móvel (–)
pick-up – caminhonete (+, não caminhonetA), picape (+), picãpe (–)
post – postagem (+)
poster – pôster (#, +)
server – servidor (+)
scanner – escâner (#, +), digitalização (#, +)
scan (verbo) – escanear (#, +), digitalizar (#, +)
screen – tela (+), ecrã (#, –)
site – sítio (#, + –), saite (–)
slide – quadro (+), apresentação (+)
slogan – eslôgã (–)
stress – estresse (+)
superavit – superávite (#, +)
Supply chain – cadeia de suprimentos (+), rede de suprimentos (+), cadeia de fornecimento (#, +), cadeia logística (+), rede logística (+)
touch-screen – tela de toque (+), tela tátil (#, +)
upload (verbo) – enviar (#, +)
upload (subs.) – envio (#, +)
video-game – vídeo-jogo (#, –), jogo virtual (-)
web – rede (+), internete (–)

Do Russo:
Kremlin – Crenlim (–)
Perestroika – Perestróica (+)

Do Francês:
abat-jour – abajur (+)
soutien – sutiã (+)
laqué – laquê (#, +)

Do Alemão:
Schoppen – chope (+)

De outras línguas:
Kosovo (Kosovës) – Côsovo (+), Cosovo (+)
Kuwayt (Dawlat al-Kuwayt) – Quaite (#, +), Cuaite (#, + -)

LEGENDA:
# denota que a tradução/versão em português já é usada em Portugal, mas não no Brasil
+ denota aqueles que têm alta probabilidade de ser adotados ou já foram, em alguns casos, por serem de fácil escrita/pronúncia e, conseqüentemente, aceitação
+ – denota aqueles que dificilmente serão aceitos no Brasil
– denota aqueles que não têm chance de ser aceitos pelos brasileiros (mas talvez sejam pelos portugueses, que mais prezam sua língua)

*Exceções:
Não traduzo nomes próprios e/ou específicos (senão de países) como rios, lagos, lagoas, montanhas, cordilheiras, marcas, empresas, pessoas etc., nem expressões totalmente estrangeiras que foram introduzidas em nossa língua há muito tempo e, portanto, seriam distorcidas se traduzidas para o Português, como sui generis, mea culpa, modus operandi, déjà vu

© Final de 2010, com adições em 31 de Outubro de 2011 por Klaus die Weizerbüken (a cópia não-autorizada deste texto pode resultar em pena de morte)

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~ por Klaus die Weizerbüken em 31/10/2011.

3 Respostas to “Aportuguesando”

  1. Caro Klaus,

    Apoio seu “movimento”, concordo com os seus pontos, mas ainda acho muito complicado. Infelizmente, temos que concordar que está cada dia mais difícil nadar contra essa maré de estrangeirismo no Brasil. Todo mundo fala assim, é necessário que tal revolução linguística seja feita por baixo. Você, como professor e formador de opiniões, tem em mãos o dever cívico de faze-lo. É necessário que as crianças sejam educadas!
    Boa sorte e conte com a minha ajuda, ficarei mais atenta aos meus próprios posts (tá vendo? como diria essa?) e adotarei alguns de seus termos aportuguesados (aqueles que eu conseguir me lembrar!).

    Até!
    =)

    • Olá, minha cara. Faço o que posso para adicionar conhecimento às cabeças descerebrizadas dos nossos companheiros brasileiros, mas, infelizmente, chegamos a um ponto em que não é possível ensinar as crianças nas escolas, somente corrigir os adultos quando eles freqüentam insituições de ensino, como Universidades.
      “Posts”, em português, seria “postagens” (palavra que já existe há mais de 2 séculos, mas que foi adaptada para servir também a esse propósito significador moderno).

      • Uma pena, não é mesmo? Analisando o ambiente universitário, você diria que é possível educar aquelas pobres mentes? ainda prefiro pensar que a “salvação” está nas crianças. Pensei em postagem, mas a preguiça do mundo moderno me fez escrever “post”.

        Abraço!

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