Per Esvai-te, Amado Mo ?

Continuando a série de poemas em português arcaico, segue um poema mais tardio que o primeiro aqui publicado. Este data de 1304, pouco mais de vinte anos depois do anterior.

Por ce mai de quosa

Avaro homen a  mi dado

Nui foi tan triste

Nem poi que malamado

 

Inda trembo, lembrar das’angústias

Inda prejo per que a mi dado

Non quero pelumbra

Tampouco avacado

 

Hay que dia se esvai

No dia, enton, deserei

Per tu, mo amado,

De mi sempre-fo rey

© Abril de 1304 por Pero Guimarãez (a cópia não-autorizada deste poema pode resultar em pena de morte)

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Tradução:

Por Que Se Esvai, Amado Meu ?

 

Por ter coisas demais (em excesso)

O homem que me foi dado (homem com quem casei) era avarento

Nunca fui tão triste

Nem tão mal-amada

 

Ainda tremo ao lembrar das angústias [verbo trembar: tremer, sentir medo/calafrios]

Ainda me pergunto por que a mim dado (o homem) [verbo prejar: perguntar, ter dúvida, questionar-se, indagar-se]

Não quero praga/coisa ruim [substantivo pelumbra: praga, coisa ruim]

Tampouco homem acomodado [substantivo avacado: homem descansado, acomodado, preguiçoso, que não faz nada]

  

Se um dia se for (morrer)

No dia, então, partirei (morrerei) [verbo desar: partir, ir, se mudar]

Pois você, meu amado

De mim sempre foi rei

© 24 de Abril de 2010 por Klaus die Weizerbüken (a cópia não-autorizada deste poema pode resultar em pena de morte)

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~ por Klaus die Weizerbüken em 05/09/2010.

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