O Velho, o Menino e o Burro

       Vinham caminhando, lentamente, três moradores de uma cidadezinha do vasto interior brasileiro: um burrico, um velho e um garoto. Ao entrarem na rua principal do município, passaram pela casa de uma senhora, que comentou, num breve solilóquio: “Absurdo; eles têm um burro, mas andam a pé. Decerto que se fosse eu a dona do burro, faria dele meu meio de locomoção”. Aparentemente, a rabugice não foi tão reservada quanto ela esperava e os andantes ouviram cada palavra silenciosamente esbravejada. Não pensaram duas vezes: subiram o velho e o garoto em cima do burrico. Continuaram.

        Logo adiante, passaram pela casa de um fazendeiro, homem dedicado aos animais. Talvez por isso, indignou-se: “Mas eita ! Um burrico desses num agüenta duas pessoas assim por muito tempo !”. Tendo ouvido o comentário, os dois trataram de bolar um novo jeito de continuar a caminhada: o velho desceu e foi guiando o burro, que levava o menino em suas costas.

        Mais à frente, havia duas moradoras sentadas em frente à casa de uma delas. Uma senhora, de aparência austera, comentou com a outra:

        — Vê só, Clotilde ? Onde é que está o respeito hoje em dia ? Como é que pode um senhor desta idade fazer este esforço todo e o menino jovem e saudável repousar sobre o animal ? — A comadre consentiu com um leve balançar de cabeça, para cima e para baixo, num tom de leve indiferença. E, novamente, os dois se rearranjaram: desceu o menino, ocupando o posto do velho, e este subiu para descansar. Prosseguiram.

        Pois dali a alguns instantes, encontravam-se em frente à residência de uma dona-de-casa muito dedicada. Tinha 5 filhos (teria 7 se 2 não tivessem morrido ainda bebês). Ao avistar o trio se aproximando, exclamou, assustada: “Mas como pode ?! O menino tinha que estar no conforto da sela e o adulto tinha que fazer o trabalho duro !”. Pois, de novo, os dois argumentaram entre si. Agora preferiram os dois descer. Então, continuaram, os dois andando, guiando o burro.

        O tempo passava e eles não tinham chegado nem à metade do trajeto que faziam. Depois de alguns minutos, passaram ao lado da prefeitura, de onde o prefeito, sujeito de nariz empinado, os avistou. Não acreditou no que viu e comentou com um dos secretários da cidade, que estava ao seu lado:

        — Santa ignorância, heim, Mateus ?! Decerto que se fôssemos nós os donos do burro, andaríamos em cima dele ! — e riu uma risada forjada, acompanhado pelo secretário bajulador. Os dois falaram tão alto que mesmo os maltratados ouvidos do velho captaram a mensagem. Mas, desta vez, foram mais espertos: decidiram que não iam mais seguir o que os outros falavam e, simplesmente, continuaram caminhando. Assim, prosseguiram pelo caminho.

        Em alguns minutos, chegavam eles ao destino esperado.

        Moral da história: não siga a opinião dos outros; procure formular sua própria.

 

25 de Fevereiro de 2009, com modificações e correções em 16 de Junho de 2009, 26 de Julho e 17 de Outubro de 2012 e 27 de Agosto de 2014. História adaptada por Klaus die Weizerbüken (a cópia não-autorizada deste texto pode resultar em pena de morte)

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~ por Klaus die Weizerbüken em 16/06/2009.

6 Respostas to “O Velho, o Menino e o Burro”

  1. Esssa história me leva a crer que não havia “um burro, um vélho, e um menino”, MAS sim “um burro, um vélho, e um menino simplismente!”

  2. Para bons entendedores, poucas palavras são sulficientes para o entender o contexto né caro amigo!
    Varias pessoas que leram e reeleram o meu com comentario, não o conseguiram compreender, pela devida falta de, de ..tudo!
    PESSOAS QUE SÃO HIPÓCRITAS AO EXTREMO!
    Temos lutado com tamanho artificio, mas em grande parte em vão.
    As vezes penso comigo mesmo, que as vezes penso. Mas, apenas penso! Isso me deixa um tanto quanto intrigado,pois, na minha vida futura, qual personagem serei,”um burro?”,”um menino?”,”um velho?” ..talvez essa seja a pergunta que não quer calar!

    “Pare de olhar para o céu vivendo sonhos que se encontram nas estrelas, muitos deles morrem ali perto mesmo, na Lua!!”

    Um grande Abraço no seu coração querido amigo.

  3. Sim

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