Semana de feira

•28/03/2017 • Deixe um Comentário

Segunda-feira

Terça-feira

Quarta-feira

Quinta-feira

Sexta-feira

Sábado tirou folga

Domingo ficou com tanta

inveja que armou barracas

sozinho e fez feira própria.

Fez tão bem que agora

o povo só quer saber

de feira no domingo.

 

4 de Dezembro de 2013

Loxodonta

•26/03/2017 • Deixe um Comentário

Se o que importa é importante

e o que irrita é irritante,

está mais do que na cara, caro amigo,

que o que elefa é elefante.

 

11 de Fevereiro de 2014

Alimentos brancos podem ser proibidos por racismo

•01/02/2017 • Deixe um Comentário

Diretamente de Brasília para a Agência T2, São Paulo.

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Algodão doce, um dos alimentos que podem ser proibidos em breve. (Foto: alex yosifov, CC 2.0)

Transita na capital um pedido de proibição de alimentos que sejam majoritária ou totalmente brancos. A requisição de retirada desses mesmos produtos dos supermercados e mercearias de todo o país já havia sido feita ao Ministério Público na semana passada e foi acatada sem vetos. As medidas fazem parte do escopo de uma ampla campanha social promovida pelo NEGRITUDE (Negros Independentes da Juventude), um auto-denominado “coletivo pós-modernista para a libertação e empoderamento da figura negra”.

O porta-voz do grupo, Rui Corrêa, esclareceu à nossa equipe por telefone que o propósito da campanha é a conscientização da importância do negro ao longo da história a fim de acabar com a discriminação racial. “Principalmente no Brasil, que tem uma rica cultura fortemente influenciada por diversos países africanos, o papel do negro ao longo dos séculos foi de suma importância. Não podemos deixar que isso caia no esquecimento. A sociedade brasileira valoriza sobremaneira a comida clara, um ato que demonstra indubitavelmente o racismo que permeia a vida cotidiana e fundamenta nossa nação.”

Segundo Corrêa, a iniquidade alimentar tem sido um grande problema para as pessoas de pele escura. “Estimamos que ela seja responsável por 25% dos casos de depressão em pessoas negras. Com a proibição, esperamos que haja mais igualdade nas prateleiras dos estabelecimentos, bem como que os negros retomem sua dignidade roubada após anos de opressão alimentícia. Sem dúvida, será uma grande vitória para a comunidade negra.”

Lembrado por nossa redação de que o prato-símbolo do país é negro, Corrêa argumentou que a feijoada só chegou a esse patamar por pressão de entidades negras do começo do século 20. “Se nossos irmãos de outrora tivessem ficado calados, hoje o prato nacional seria o cassoulet”, diz Corrêa, referindo-se à feijoada branca, de origem francesa (forte candidata à interdição caso a proibição se concretize). “Além disso, um só prato negro não é o suficiente para simbolizar e homenagear toda uma cultura. É uma questão de representatividade: a quantidade de pratos negros deve ser tão grande quanto a quantidade de pessoas desse grupo, e isso é atualmente impossível com o alto número de brancos e seus respectivos pratos pálidos.”

Com a implementação da nova regra, que poderá ser oficializada por meio de decreto ainda esta semana, a tradicional culinária brasileira sofrerá sérias alterações. O par “arroz e feijão”, tido por muitos como a combinação perfeita, ficará desfalcado e não mais poderá ser colocado nos pratos dos brasileiros. O beijinho perderá seu lugar nas festas, onde o monopólio dos doces, que só poderão ser preparados com açúcar mascavo, será do brigadeiro. A farinha de trigo e a maisena terão de ser substituídas na preparação de bolos. Milhares de fábricas cessarão a produção do célebre queijo minas. O leite comum seria uma dos primeiros abolidos, mas ainda há dúvida sobre o status do leite condensado e do leite de soja. Gabriel Ratazan, líder do BRANQUELUS (Brancos Queixosos Lutam Unidos), alega que o primeiro é amarelado, enquanto o segundo tende ao bege, motivo pelo qual não deveriam ser proibidos. Rui Corrêa é enfático ao afirmar que “variações de tonalidade não podem ser justificativa para eximir um ou outro alimento da censura culinária. Se o alimento é meramente esbranquiçado, já se enquadra na lei e deve ser tirado de circulação.”

Impulsionados pela possível proibição após a divulgação da notícia pelo MP, o contrabando e a venda ilegal de comidas brancas subiram 76% nos últimos 3 dias, de acordo com Tadeu Shimoda, chef-coronel da Divisão de Crimes Alimentícios, subsetor do Departamento Gastronômico da Polícia Federal. Toneladas de palmito foram apreendidas em carregamentos clandestinos desde a última terça-feira numa mega-operação de âmbito nacional apelidada pela PF de Operação Pó Royal. No Nordeste, diversas pessoas foram presas com pacotes de sal no reto. A técnica, comumente utilizada para o transporte de drogas ilícitas como a cocaína, está se mostrando popular entre os que procuram fazer um estoque de temperos e condimentos brancos discretamente (vale ressaltar que o sal rosa do Himalaia poderá continuar sendo usado para salgar pratos após a iminente proibição.).

Esta não foi a primeira vez que o NEGRITUDE se envolveu numa batalha jurídica para defender os direitos dos negros. Em 2002, 40 anos após a estréia do chocolate branco no Brasil, o grupo entrou com ação contra a Lacta para que o Laka fosse descontinuado. Vitorioso em primeira instância, perdeu em segunda após um recurso da companhia fabricante. “O chocolate sempre foi negro; a invenção do chocolate branco foi apenas um meio da sociedade tentar desmerecer um item de grande valor para os afrodescendentes. Querem erradicar toda e qualquer lembrança da pele negra, até mesmo nos alimentos mais tradicionalmente escuros. Como se explica que todo produto sabor baunilha, uma planta negra, é artificialmente colorido de branco ? O racismo entra em nossas vidas pela própria boca, num simples sorvete de creme numa tarde de domingo”, comenta Corrêa.

Ainda segundo o porta-voz, outras medidas legais serão tomadas nos próximos meses. O carro-chefe das ações é o “sistema de cota pratal”. Definido pela organização como uma “medida social de caráter isonômico”, ele define que uma porcentagem mínima de comida posta no prato seja preta ou marrom, equilibrando, dessa forma, a coloração das refeições consumidas pelo brasileiro.

 

© 13/14/19 de Janeiro de 2017, por Klaus die Weizerbüken. Cópia permitida mediante crédito ao autor e ligação ao blogue. Note que a notícia acima é fictícia e foi escrita com propósitos cômicos. Qualquer relação com a realidade, incluindo os nomes citados, é mera coincidência.

Frases – Deus onipotente e onibenevolente

•22/01/2017 • Deixe um Comentário

Se você acha que um deus bondoso e todo-poderoso é compatível com todo o crime, a violência, a tortura, a dor, o sofrimento, as mortes, as catástrofes, o desespero, a angústia, a tristeza, a inveja, o ódio, a ignorância e o medo há no mundo, então seu problema não é teológico, é linguístico: você não sabe o significado de “compatível”.

© 18 de Janeiro de 2017, por Klaus die Weizerbüken. Cópia permitida mediante crédito ao autor e ligação ao blogue.

Frases – Igualdade dos sexos nunca existiu

•20/01/2017 • Deixe um Comentário

As construções, as invenções, as descobertas, os remédios, as grandes obras de arte… Tudo que temos ao nosso redor e facilita, melhora ou alegra nossa vida foi pensado, planejado e posto em prática pelo homem. O homem construiu a sociedade, bem como a manteve por toda sua existência. Se chegamos a esse nível de evolução e civilização, foi por causa do homem. A mulher, até hoje, só usufruiu do legado masculino — e de modo bem mal-agradecido, diga-se de passagem. Está mais do que na hora de a mulher passar a dividir com o homem a responsabilidade pela espécie e seu destino, uma responsabilidade enorme que tem sido carregada nos ombros masculinos desde sempre.

© 16 de Janeiro de 2017, por Klaus die Weizerbüken. Cópia permitida mediante crédito ao autor e ligação ao blogue.

Frases – Feminismo: para que serve ?

•18/01/2017 • Deixe um Comentário

O feminismo existe para dizer à mulher gorda que ela é bonita, à solteira que ela é desejada, à desempregada que ela é competente, à dona de casa que ela é importante, à insegura que ela tem potencial e à mimada que ela é independente: exatamente o que elas querem ouvir.

© 12 de Janeiro de 2017, por Klaus die Weizerbüken. Cópia permitida mediante crédito ao autor e ligação ao blogue.

Arkan Qsara e o Quarto Escuro

•16/01/2017 • Deixe um Comentário

            É sempre divertido conversar com um religioso, principalmente com os fervorosos. A ausência de argumentação fundada é, no mínimo, cômica. Creio que “tragicômica” seja o termo mais apropriado, já que, se por um lado é engraçado, por outro é preocupante: até onde a ignorância advinda das trevas da religião pode levar um ser humano ?

            Esses dias, por exemplo, tive uma conversinha com um colega devoto (e bote devoto nisso). O rapaz é tão cego que acredita na Bíblia porque ela mesma se diz verdadeira, uma asserção um tanto quanto suspeita, não ? Pois estávamos a conversar e acabamos chegando ao assunto que incomoda muita gente: a existência de Deus.

— Você diz que eu não tenho argumentos, mas onde estariam os seus ?

— Meus ? Que argumentos ?

— Ué, você não se diz ateu ?

— Sim, ateu convicto.

— Pois cadê suas provas e argumentos ?

— De quê ??

— De que Deus não existe, oras !

— Você deve estar de brincadeira…

— Falo sério, poxa !

— Provar que algo existe, por mais difícil que seja, é sempre possível. O contrário não. Provou-se até que existem átomos e buracos negros, mas como fazer para provar que um unicórnio não existe ? O que fazer para derrubar a imagem mitológica dos dragões ? Que argumentos são necessários para corroborar a idéia da não existência da fênix ? Não tem como.

— Vê só ? Quem não tem argumento é você. Não consegue provar que ele não existe.

— Mas você não consegue provar o contrário, correto ?

— Não preciso provar nada. Sei que ele existe e essa certeza interior já é o bastante pra mim.

            É, é complicado. Indago-me se há possível salvação prum indivíduo que chega a esse ponto. Ao homem, de que lhe vale um cérebro se ele insiste em não usá-lo ? De qualquer forma, continuei, destemidamente, a enfrentar o parvo. Respirei fundo.

— Você conhece a história de Arkan Qsara e o quarto escuro ? — disse eu na esperança de que um conto quase infantil o ajudasse a entender meu ponto de vista. Afinal, lida-se com um teísta fervoroso como se lida com uma criança de cinco anos…

— Nunca vi mais gordo. Arca o quê ?

— Arkan Qsara. Interessa-lhe ?

— Depende; é muito longa ?

            Lancei um olhar furtivo para o relógio no alto da torre da universidade.

— Temos tempo.

— Pode mandar. — disse o rapaz com cara de quem não está nem um pouco interessado.

— Ela se passa no Magreb, a parte árabe da África, há muito, muito tempo, antes mesmo de ter sido incorporado ao Império Otomano…

            Numa terra distante, de vastos desertos, onde a aridez da areia contrastava com o azul hídrico do céu sempre inube, vivia o sultão Alkhsir Il-Habba. Nascido no seio da família real da região, o déspota havia herdado de seu pai, o sultão antecedente, um suntuoso palácio, disposto no meio do nada — ainda que com o privilégio abençoado de um oásis adjacente —, e toda a área que rodeava a faustuosa e colossal construção. Suas posses materiais, embora fartas, não eram tudo em sua vida: tinha um filho; Arkan Qsara Il-Habba era seu nome. A esposa, para a tristeza geral dos humildes súditos e, como era de se esperar, do sultão, falecera logo após dar à luz. O menino, que crescera mais próximo dos servos que de seu próprio pai, começou a dar, aos seis anos, os primeiros sinais de desobediência. Dotado de um gênio forte, questionava tudo e todos. Indagava-se os porquês das coisas. Era um bom garoto, tido como polido e prestativo pelos empregados do palácio, mas sua impertinência já começava a incomodar o grande sultão Alkhsir Il-Habba. Tudo em seus domínios tinha de ser como ele queria, nem mais nem menos. A situação estava prestes a tomar outro rumo, mesmo que o pequeno Arkan ainda não desconfiasse de nada…

            Arkan completou seus dez anos. Era um dia de festa, ou pelo menos deveria ser. Habijah, um dos mais antigos empregados de Il-Habba e, certamente, o mais próximo do garoto Arkan, subiu as longas escadarias da ala esquerda do palácio, onde ficava o quarto do garoto.

— Arkan ! Arkan, garoto ! Acorde, criança, venho em nome de seu pai !

— Papai ? Aconteceu algo ?

— Não sei, ele só ordenou que eu viesse aqui chamá-lo. Vista-se e vamos.

            O menino se vestiu prontamente e atravessou a ala esquerda como um abutre à procura de restos mortais de camelos nas secas planícies daquelas redondezas. Cruzou o pátio central, o único lugar num raio de quilômetros em que havia plantas propriamente ditas (desconsiderando, portanto, as palmeiras moribundas que se rarefaziam em meio às tantas dunas circundantes), subiu as escadarias da ala direita e bateu à porta do governante.

— Sim ?

— É Arkan, papai.

— Entre, filho.

— Está tudo bem ?

— Sim, sim. Só queria ter uma pequena conversa com você. Sente-se aqui. — disse Il-Habba apontando para uma luxuosa cadeira que jazia em frente à sua cama.

            Aproximando-se da cadeira, o garoto congelou ao ver um vulto perto da janela, toda trabalhada em madeira. Ele se aproximou da abertura da ventana, de forma que um feixe de luz contígua do escaldante sol desertícola revelasse sua imagem. Era medonho. Um senhor mirrado, um tanto quanto corcunda, dono de um narigão que amedrontaria qualquer criança. A barba, esparsa e grisalha, lembrava um daqueles homens que Arkan já havia visto quando seu pai o levou a uma mesquita bicentenária. Até mesmo sua vestimenta lembrava aqueles senhores: uma espécie de misto entre uma batina e uma toga, de cor escura, com mangas cumpridas e mal arrematadas. Numa das mãos, segurava um cajado que aparentava ser antiqüíssimo, todo entalhado, tão imponente que não sabia se o velho se apoiava nele ou se ele se apoiava no velho. O castão representava fielmente a cabeça de uma naja quando do ataque à presa. Seu corpo esguio contornava o cajado em toda sua extensão. Era excêntrico, mas fascinante.

— Arkan ?

— Sim, papai ?

— Ordenei que se sentasse.

            O menino permanecera em pé durante o breve devaneio. Sentou-se.

— Hoje, como você bem sabe, é um dia especial. Completa dez anos. Sinto-me muito orgulhoso de você. Sabe disso, não ?

— Sim, papai.

— Que bom. Que bom. Como de costume, assim que o sol se puser, darei início à cerimônia que fazemos todos os anos. Todos os empregados já estão avisados, homens e mulheres. Eles já conhecem a rotina. Já falou com Kahmir ?

— Ainda não.

— Pois fale. Ele é um bom menino, um bom amigo, sabe disso.

— Sim, ele é.

— Mas não foi por isso que o mandei chamar aqui hoje. Tenho duas coisas muito importantes para lhe dizer. Algumas coisas vão mudar por aqui e quero que esteja a par de tudo. Está ouvindo ?

— Claro, papai.

— Primeiramente, quero que conheça Moushallah — disse Il-Habba apontando para o misterioso e medonho velhote que continuava parado perto da janela.

— A partir desta data, ele será o conselheiro do sultanato. A última palavra continuará sendo a minha, mas Moushallah há de sugerir outras possibilidades, ampliar meu horizonte para novas escolhas, auxiliar-me quando de decisões complexas. Todo homem de poder tem de ter um conselheiro. Não é sinal de fraqueza, pelo contrário: indica argúcia e sensatez. Compreende ?

— Sim, papai.

— Esplêndido. Moushallah é só, não traz família ou qualquer acompanhante, e terá a seu dispor o primeiro quarto externo, no pátio. O outro assunto que tenho de conversar com você, pequeno Arkan, é mais sério. Ouça-me com atenção. Lembra-se do outro quarto externo, na parte final do pátio, a caminho do oásis ?

— Sim, mas nunca entrei lá.

— Pois continuará assim. Você não deve entrar naquele quarto em hipótese alguma. Sob nenhuma circunstância você se atreverá a desobedecer esta ordem de seu pai. Está claro ?

— Sim, senhor.

— Esplêndido. Pode ir agora. Vá ter com Kahmir.

            Estranhamente intrigado, sem entender por que motivo seu pai diria uma coisa daquelas, Arkan desceu as escadas rumo ao quarto de Kahmir. Filho de Habijah, Kahmir era a única criança que morava no palácio além do filho do amo de seu pai; nascera ali, inclusive. Sua mãe também havia morrido, mas quando tinha cinco anos, de forma que ainda conseguia resgatar algumas cenas dela se se esforçasse um pouco. Era só dois meses mais velho que Arkan. Os dois viviam juntos o tempo todo. Eram a única companhia que um tinha para o outro. Encontravam no amigo o conforto de conversar e brincar com alguém da mesma idade num reduto de adultos fatigados, desmotivados e ranzinzas no meio do deserto.

— Habijah ! Está aí ?!

— Pode entrar, Arkan; Kahmir o espera na cama do quarto.

            Adentrou o quarto feito folha em redemoinho.

— Oi !

— Oi, Arkan !

— Você sabe que hoje há festa, não ?

— Claro ! Como sempre ! Adoro essas festas, sempre como até ficar estufado !

— Rá ! Lembra a última festa, no ano passado, quando você comeu tanto que teve dor de barriga ??

— Nem me lembre disso… — disse Kahmir fechando a cara.

— Então já aproveito para mudar de assunto… Acaba de acontecer algo muito estranho. Na verdade, dois “algos”.

— O quê ??

— Primeiro, meu pai arranjou um homem que se diz conselheiro. Vai morar aqui no palácio conosco, no quarto do pátio. Ele é assustador !

— Como é ??

— Consegue imaginar a morte ?

— Sei lá !

— Tente.

— Tá…

— É feia e esquisita ?

— Claro !

— Pois imagine que ela tem um irmão.

— Hum…

— Então, é ele.

— Rá-rá-rá ! Que coisa…

— Mas isso é o de menos. O mais estranho foi o que meu pai disse depois.

— Conte !

— Ele me proibiu de ir ao quarto externo da viela pro oásis. Disse que não posso entrar lá por razão alguma.

— Por quê ??

— Não sei. Não disse uma palavra a mais, não me explicou nada.

— Estranho…

— E muito.

            O sol já se acomodava num ângulo perfeito de 45 graus em relação à planície arenosa. Era hora de começarem a se preparar para a festa que seguiria.

— O sol já está quase se pondo. Vamos nos arrumar.

            Em pouco menos de duas horas, a festa já havia começado. Todos cantavam e dançavam pelo pátio às músicas tocadas pelos súditos que detinham conhecimentos e habilidades musicais. As festas eram as únicas ocasiões em que se sentiam animados. Todos aproveitavam como se o sol não fosse nascer no dia seguinte. Próximos da armação de madeira que servia de palco improvisado para os músicos que tocavam as mais sarracenas melodias, Arkan e Kahmir conversavam sentados no chão.

— O que acha de dar um mergulho no lago ?? — perguntou Kahmir esperançoso de que Arkan aceitaria dessa vez.

— De novo ?? Todo ano você me pergunta isso !

— Claro ! Todo ano você fala que não ! Fico insistindo pra ver se um dia você se cansa !

— Pois esse dia já chegou ! Vamos lá dar um mergulho rápido. Você sabe que meu pai não aprova. Depois desse mergulho, você tem que me prometer que vai esperar, pelo menos, uns dez aniversários para pedir isso novamente !

— Prometo três e nada mais.

— Mercenário… Tá bom.

— Vamos !

            Saíram em debandada como pássaros a um bater de pé. Quase vinte metros depois, passaram em frente ao infame quarto proibido.

— Espere ! — gritou Arkan apavorado.

— Que foi ??

— Eu acho que vi alguma coisa ali dentro.

— Do quarto misterioso ??

— É !

— Tá brincando ??

— Olha lá !

— Tô olhando e não tô vendo nada…

— Bom, não tá lá agora, mas tava !

— Bobagem; coisa da sua cabeça. Vamos logo pro lago antes que alguém veja !

            E foram. Arkan, no entanto, só conseguiu pensar no que havia acabado de acontecer. Sequer nadou. Só colocou os pés na água e ficou pensando no que poderia ter sido aquilo enquanto olhava e acenava para Kahmir, que dava suas usuais piruetas de moleque levado. Não parava de pensar no quarto porque esse encobrimento não combinava com sua personalidade investigativa e desbravadora, mesmo tendo acabado de completar apenas dez anos. Não gostava de saber que algo estava sendo escondido. Queria saber a verdade, o porquê daquilo.

— Vamos voltar; já está tarde e vão perceber que não estou presente em minha própria festa !

            No caminho de volta, passou de olhos bem abertos pelo quarto. Não havia janela, mas o vão de baixo da porta supria uma vista generosa do interior. Pena estar de noite. Não conseguiu ver nada.

— Não me diga que viu mais alguma coisa ??

— Não, dessa vez não… Mas sei que ali tem algo.

            Arkan desenvolveu um interesse quase mórbido pelo tal quarto. O que poderia lá haver ? Que segredos o aguardavam dentro daquele cubículo de arcaica alvenaria rústica ?

            O tempo voou, como costuma fazer sempre. Chegava Arkan a seu duodécimo aniversário. Tudo aconteceu exatamente como das outras onze vezes. Festa ao pôr-do-sol, todos tocando, cantando e dançando as mais alegres e populares canções de língua árabe, comida e bebida à vontade. Só uma coisa não tinha mudado: o tenaz desejo doentio de saber o que havia naquele quarto. Arkan conseguira se segurar por todo aquele tempo. Afinal, não poderia desobedecer a seu pai. Desobediência implica desrespeito, e desrespeito, ainda mais para com o próprio pai, era como um crime contra a vida para aquele povo. Como conseguiria Arkan controlar seus impulsos ?

— Preciso de que venha comigo, Kahmir.

— Aonde vai ?

— Ao quarto.

— Sério ?

— Seriíssimo.

            Kahmir o acompanhou até a viela onde ficava o quarto. A alguns metros do cômodo, os dois pararam concomitantemente, como se ensaiassem um passo de dança sincronizada. A porta estava aberta. Entreaberta, de fato, mas isso já era o suficiente para amedrontar ambos.

— Vê o que vejo ??

— Com meus próprios olhos !

— Não diga !

— Então não pergunte !

— Você consegue ver algo daqui ?

— Lá dentro ?

— É.

— Não… A porta ainda está cobrindo a maior parte, mas, se tivesse algo, acho que já daria pra ver por essa frestinha.

— E se for algo que não conseguimos ver ?

— Que não conseguimos ver ? De que está falando ??

— Sei lá, ué… Você acha que conseguimos ver tudo ?

— Claro, oras ! Se vemos, existe, se não vemos, é porque não existe ! — afirmou categoricamente o cético Kahmir.

— Não vemos o ar; isso significa que ele não existe ? — redargüiu Arkan deixando falar mais alto um resquício de crença sobrenatural infundada que ainda lhe restava, mesmo que não por muito tempo.

— Ah, mas isso é diferente, seu bobo !

— Bobo é você !

— Ah, chega de discussão. Eu sou o mais velho aqui, ouça o que digo. — disse Kahmir com um sorriso de lado, ao que Arkan reagiu franzindo a testa. — Se fosse você, eu iria até lá só pra dar uma espiada.

— É o que farei. Venha comigo, tenho de ver o que tem lá dentro de uma vez por todas.

— Eu ? Não podemos nós dois entrar no quarto. Um tem de ficar aqui para alertar o outro caso alguém chegue !

— Tem razão. Eu vou.

            Começou a dar os primeiros passos com as pernas estremecendo. Cada passo em direção ao quarto era um passo em direção à verdade, ao fim desse mistério metade ridículo e sem sentido, metade intrigante e apavorante. Chegava cada vez mais perto do quarto enquanto o astro rei descia cada vez mais no horizonte. Estendeu o braço a fim de, num meneio lento e meticuloso, abrir por completo a porta, que parecia instigá-lo propositalmente como quem diz “entre sem bater”. Tocou a madeira envelhecida e sentiu calafrios, mesmo que o sol poente ainda se fizesse presente na forma do mormaço desértico.

— Arkan !!!

            Não conseguiu dizer mais nada além do nome do amigo. Não conseguiria mesmo que tentasse com muito esforço; uma pedra do Saara movimentava-se mais que ele naquele momento. Tinha acabado de ver algo tremendo: um velho, de barba, com trajes sombrios, apoiado num cajado todo trabalhado. O ambiente, um pátio ao ar livre subjugado pela indecisão do lusco-fusco, mais parecia cenário de um conto de terror. O sujeito se encaixava perfeitamente no papel de vilão. Kahmir não tinha qualquer dúvida: era o tal Moushallah.

— Mou… Moushallah ?… — indagou, balbuciando, o Arkan flagrado.

— Arkan… Pequeno Arkan… O que fazes por aqui a essa hora ? — questionou o velho enquanto esfregava suavemente a cabeça da letal naja.

— Eu ? Bom, a… O… É que…

— Sabias que teu pai anda preocupado contigo ?

— Comigo ? Por que motivo ?

            Kahmir começou a sair de fininho, talvez por medo, talvez por estar no lugar errado na hora errada, talvez pelos dois.

— Não tens notado ?

— Notado o quê ?

— Não te conheço há muito, mas teu pai sim. Disse-me ele que tens te tornado cada vez mais questionador, investigativo. Isso costuma levar à rebeldia e à desobediência. Sabes o quanto isso magoaria teu pai, não sabes ?

— Sim, Moushallah. Não quero magoá-lo de forma alguma.

— Pois o melhor que tens a fazer neste momento para evitar que isso aconteça é ficar longe desse quarto. Promete por teu pai que não chegarás mais perto dele ?

            Não disse nem que sim nem que não. O olhar fugidio percorreu o entorno. Estava pensando se perguntaria ou não o que acabou por perguntar.

— Moushallah… O que há nesse quarto ?

            O velho, que não havia tirado os olhos do menino por um instante até aquele segundo, permitiu-se uma olhadela para o quarto. Fitou novamente o garoto, agora com um semblante tão revelador quanto o dele.

— Já tiveste sonhos horríveis ? Pesadelos que te fizeram acordar suado e tremendo ?

— Algumas vezes…

— É exatamente o que te aguarda no interior desse cômodo: teus piores pesadelos. O que de mais horrendo puderes imaginar. Aquilo que somente uma mente deveras perturbada seria capaz de conceber. Coisas pelas quais deverias agradecer nunca ter visto.

            O garoto não disse uma palavra. Ficou momentaneamente mudo.

— Só uma coisa posso te dizer, se é que te convém um conselho deste pobre velho: fica longe do quarto, garoto.

            Aconselhou-o, virou-se e saiu caminhando, lentamente, apoiado no cajado de madeira. Kahmir, ciente do egresso do conselheiro, aproximou-se de Arkan.

— O que foi que ele disse pra deixar você assim nesse estado ?? Você está pálido, Arkan !

— Estou um pouco confuso, Kahmir.

— Por quê ? Afinal, o que tem no quarto ?

— Coisas horrendas, temíveis. Meu pai não tinha me falado nada disso.

— Moushallah disse isso ? Disse que não deve entrar por causa de “coisas horrendas” ?

— Com todas as palavras.

— Você acredita ?

— Já não sei mais…

— E agora, o que vai fazer ?

— Não posso entrar lá, Kahmir. Não sei quanto às coisas que ele disse, mas… meu pai me proibiu. Não deveria nem ter tentado entrar agora há pouco. Vamos esquecer isso…

            E assim, tão repentinamente, Arkan se viu tomado pela incerteza, pela dúvida, mas não mais pelo que o quarto lhe guardava, e sim por não entender aquilo tudo. Afinal, o que estava havendo ? As coisas haviam mudado demais nos anos anteriores e isso não lhe agradava…

            Muitas luas se passaram, e o garoto de outrora virara rapaz. No auge de seus quinze anos, havia abandonado de vez todo e qualquer pensamento irracional. O que não pudesse ser explicado pela razão, pela lógica, pelos conhecimentos humanos, não era digno nem de cogitação.  O mundo, para ele, era o que se apresentava diante de seus olhos, o que podia ser tocado, cheirado, ouvido, visto, provado, sentido: vivido.

            Certa noite, deitado em sua luxuosa cama, em seu quarto tão ou mais luxuoso, ouviu um barulho estranho; fraco, mas estranho. Ele se repetiu. Vinha da janela. Levantou-se e foi averiguar, avistando Kahmir no andar de baixo a jogar minúsculos seixos do jardim central a fim de que seu amigo viesse à janela. Missão cumprida.

— O que foi ??

— Desça aqui !

— Kahmir, já é tarde da noite ! É importante ??

— Acha que estaria chamando você assim se não fosse ??

            Arkan desceu as longas escadas bem discretamente. Foi ter com o amigo no pátio.

— Por que raios me chamou aqui a essa hora ?

— Venha aqui… — ao que acompanhou com um gesto da mão.

            Guiou-o a poucos metros do praticamente esquecido quarto.

— Minha nossa ! É isso mesmo que estou vendo ??

— Sim. A porta está escancarada. Claro que não dá pra ver nada daqui a essa hora da noite, mas…

— Quem a abriu ?? — interrompeu Arkan.

— Saí de meu quarto para beber um pouco d’água e vi que Moushallah cruzava o pátio a passos apressados. Segui-o por alguns segundos, de longe, e vi que ele abriu a porta.

— E depois ??

— Foi embora.

— Ele abriu a porta e foi embora ??

— Pelo que eu vi, sim.

— Por que faria isso ??

— Não sei…

— A não ser que… o fizesse de propósito, para nos instigar a entrar ou ao menos tentar.

— O que ele ganharia com isso ?

— Não faço idéia, mas algo aqui não me cheira bem… Suspeitei que houvesse algo muito estranho por trás desse negócio todo do quarto desde que meu pai me proibiu de entrar nele há cinco anos…

— O que acha que poderia ser ?

— Você sabe que só há uma maneira de descobrir…

— Vai fazer o que eu estou pensando que vai fazer ?

— Diga-me no que pensa e poderei dizer-lhe se sim.

— Vai entrar lá de uma vez por todas ??

— Exato. — respondeu firmemente, para a surpresa do colega. — Fique a postos. Se alguém chegar, qualquer um, avise-me, mas sem fazer escândalo, entendido ?

— Entendido.

            E assim, em questão de segundos, decidiu que acabaria com aquele estranho mistério que insistia em perdurar havia cinco anos. Pegou uma das tochas flamejantes que iluminavam o pátio e foi, intrépido. Cautelosa e silenciosamente, deu os primeiros passos, desta vez mais seguro que na última tentativa. Os cinco anos de indagações e curiosidade passaram por sua cabeça no curto caminho até a porta. Aproximou-se. Adentrou o quarto. Esticou o braço e deixou o modesto fogo da tocha fazer seu trabalho. A luminosidade era pouca, mas o suficiente para fazê-lo enxergar o que o deixou pasmo. Nunca haveria de se esquecer daquela cena. Entrou olhando para a frente, depois olhou para a esquerda, para a direita, até para o teto. Perscrutou cada canto do quarto com os olhos. Não acreditava no que via. Olhou novamente para cada lado só para certificar-se do que seus olhos enxergavam: nada. Absolutamente nada. O quarto estava vazio. Nem mesmo uma formiga no chão ou uma mancha na parede. Vazio. Mal teve tempo de processar a informação e ouviu o que não queria.

— Arkan !!

            Saiu imediatamente e, para seu temor, deparou-se com Il-Habba e Moushallah defronte a si. Não sabia para qual olhava. O grande sultão, visivelmente desapontado e furibundo, lançou um olhar indecifrável ao conselheiro, que o devolveu da mesma maneira, ininteligível.

— Disse-te que aconteceria.

— Tinha minhas dúvidas, mas já não as tenho mais. — retrucou o sultão. — Kahmir, volte para seu quarto. Acorde Habijah e diga que porei em prática o que lhe havia dito. Chamá-lo-ei amanhã pela manhã para que comece o trabalho de que o encarreguei.

— Pai, eu…

— Basta. Nem uma palavra mais. Acompanhe-me.

            Sem saber o que lhe poderia acontecer, seguiu seu pai até o quarto onde conhecera o conselheiro e onde tudo aquilo havia começado meia década antes.

— Sente-se.

            A cadeira era a mesma. Moushallah dirigiu-se ao mesmo canto, próximo à janela, e lá permaneceu, como antes.

— Lembra-se de seu aniversário de dez anos, quando mandei chamá-lo ?

— Perfeitamente, pai…

— Lembra-se do que falei naquela manhã ?

— Sim… De Moushallah e do quarto.

— O que disse sobre o quarto ?

— Que não deveria entrar lá jamais, em hipótese alguma.

— Sob nenhuma circunstância ?

— Não…

— Isso é muito estranho, pois… tive a nítida impressão de vê-lo no quarto há alguns minutos.

— Pai, eu só…

— O quê ? Você só o quê ? Só desobedeceu a uma ordem por mim proferida ? Só me desrespeitou em frente de seu amigo e de meu conselheiro ? Só foi contra a vontade de seu querido pai, que tanto o estima ? Só desapontou quem cuidou de você com todo o carinho desde a morte de sua mãe ?

— Pai, deixe-me explicar…

— Não faz idéia do quanto estou decepcionado… Meu próprio filho desobedecendo às minhas ordens…

— Pai, estou um pouco confuso. Bastante, na verdade. Por que não me explica o que está acontecendo ? O que é tudo isso, esse negócio do quarto ?

            O sultão olhou para o lado, cabisbaixo. Suspirou.

— Antes mesmo de você completar dez anos, já havia percebido que estava começando a mudar. À medida que ia se tornando mais esperto, motivo de muito orgulho para mim, tornava-se, também, mais questionador. Isso, como bem se sabe, leva à rebeldia, e rebeldia leva a coisas piores. Arranjei, assim, um conselheiro pessoal para auxiliar. Essa é a função de Moushallah aqui no palácio.

            Moushallah deu um passo à frente, saindo, pela primeira vez, da área penumbrosa perto da janela.

— Meu primeiro conselho a teu pai, que acabou por segui-lo, foi que te desse uma ordem, mas não uma qualquer: uma sem sentido, uma que fizesse tu te indagares o porquê. Sabia que, eventualmente, tu te provarias rebelde, contrariando a palavra de teu pai. Ele não tinha tanta certeza; ainda mantinha um resquício de esperança de que tu pudesses continuar no bom caminho, não te desvirtuando da trilha dos bons valores por ele passados.

— Então… tudo isso foi uma armação ? Um provação ? Um teste que vocês fizeram para ver como eu reagiria ?

— Receio que sim. E para que você volte ao caminho de meus ensinamentos, como um bom garoto, serei obrigado a puni-lo. Já havia deixado Habijah avisado de que seus serviços seriam necessários nessa questão. Ele já está a par de tudo. Amanhã cedo, ao raiar do sol, você o acompanhará até a sala grande ao lado da escadaria sul.

— A… sala grande ? — confirmou Arkan, ligeiramente balbuciando. — Mas pai… é a sala de punição…

            Il-Habba olhou de relance para Moushallah para, em seguida, baixar a cabeça e fitar o chão. Não disse uma palavra sequer. O que poderia dizer ? O semblante de Arkan, por outro lado, havia mudado. Em poucos segundos, passou de assustado a aterrorizado.

— Isso é tudo. Vá.

            Arkan virou-se e dirigiu-se à porta por onde havia entrado, mas não sem antes mirar com desprezo Moushallah, o arquiteto daquele esquema sádico, que deixava escapar, pelo canto da boca, um sórdido sorriso amarelo.

            Assim que os primeiros feixes de luz adentraram o palácio na manhã seguinte, foi acordado o sultão por um Habijah visivelmente atormentado:

— Mestre, ele se foi ! Ele se foi !

— Acalme-se, homem. Quem foi para onde ?

— Arkan, senhor ! Arkan não está mais no palácio !

— Trate de averiguar cada canto do prédio.

— Já o fiz, senhor ! Passamos toda a manhã à caça de seu filho ! Segundo o que consta, ninguém o viu desde a noite anterior !

— Pois chame os outros e organize uma busca imediatamente. Vasculhem o deserto e achem meu filho, onde quer que ele esteja !

            Mas de nada adiantou a tentativa dos exaustos súditos, que procuram Arkan com afinco mais pela vontade de revê-lo que por obediência ao sultão. A essa hora, ele já estava longe. Desiludido com o pai, com o conselheiro e com a vida que levava, partira a fim de saciar seu espírito questionador e curioso. Antes de iniciar sua jornada, porém, deixara um bilhete de despedida ao amigo Kahmir, onde se lia: “Meu amigo, não se preocupe. Aonde quer que vá, lembrar-me-ei de você. Você foi um grande companheiro e agradeço por sua amizade ao longo de todos esses anos. Tenha a certeza de que estarei bem. Pode parecer estranho, mas há algo muito importante que preciso fazer agora, algo que não posso deixar esperar: preciso me encontrar. Um dia, talvez você entenda. Talvez para você, também, chegue esse grande momento, o dia em que sentirá seu eu interior e deixará falar mais alto a voz de sua consciência. Até que esse dia chegue, só posso aconselhá-lo a questionar o inquestionável, a pôr em dúvida todas as verdades absolutas e a contestar todas as grandes convicções. É de perguntas, não de respostas, que se mune o verdadeiro sábio.”

            Para a tristeza do amigo, o desgosto do soberano e a indiferença do conselheiro, nunca mais se ouviu falar de Arkan Qsara.

 

 

8/9/10/12/13/14 de Janeiro/4 de Fevereiro de 2013/16/17 de Outubro de 2015

 

 
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